Frei Betto nega crise entre governo federal e MST

O assessor especial da Presidência da República Frei Betto negou, nesta sexta-feira, a existência de crise entre o Movimento dos Sem-Terra (MST) e o governo federal. "O governo Lula e osmovimentos que lutam pela terra querem a mesma coisa: a reforma agrária, e eu tenhocerteza de que ele enfrentará o desafio de realizar a reforma agrária no País em parceriacom esses movimentos", disse, referindo-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.O MST cobra mais rapidez nas ações do governo federal e há cerca de uma semanainiciou uma série de ocupações de sedes do Instituto Nacional de Colonização eReforma Agrária (Incra) além de invadir propriedades rurais.Líderes do movimento prometeram intensificar essas ações no mês de abril próximo."Não há ameaça, então não há nada a temer", rebateu Frei Betto. "Não vejo (isso) como uma crise." Ele garantiu que o diálogo com o MST não foi rompido, apesar das críticas do governo federal às invasões. "Estou dizendo que temos diálogo, há uma sinergia, estamos conversando, e episódios de eventuais ocupações de terra de modo algum prejudicam esse trabalho conjunto que está sendo feito", disse Frei Betto. "Pode haver um abuso aqui e ali, mas isso não arranha a nossa parceira."Frei Betto não quis antecipar como o governo federal pretende tornar mais ágil a realizaçãoda reforma agrária nem como serão tratadas as invasões a prédios públicos e fazendaspelo MST. "Acho que os dois, governo e movimentos, querem a reforma agrária efetiva,e as medidas para isso estão sendo trabalhadas, serão implantadas", afirmou Frei Betto.Invasões prejudicam reforma agrária", diz AlckminO governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), com quem Frei Betto esteve reunido nesta sexta pela manhã, voltou a afirmar que as invasões acabam prejudicando o processo de reforma agrária e que as áreas ocupadas irregularmente serão reintegradas. No caso da Fazenda Santa Isabel, em Alambari (SP), ele garantiu a desocupação, mas não deu prazo. A determinação judicial foi dada há dois dias."Invadiu, vai desinvadir, repito. Mas prevalece o bom senso, não precisa ser em 24 horas. É melhor uma saída negociada das famílias do que sob ação policial, mesmo que no cumprimento de ordem judicial", disse Alckmin. Durante a entrevista, o governador foi informado por um assessor de que as famílias já estavam negociando a saída da propriedade nos próximos dias."É preferível sempre ter uma solução negociada. Nosso caminho, primeiro, é o do diálogo, e segundo, do cumprimento da lei, que deve ser respeitada por todos", disse Alckmin, sem citar especificamente o MST. "Invasão não pacifica o campo, pelo contrário, prejudica a reforma agrária porque traz intranqüilidade, o que é muito ruim. É um desserviço à causa justa da reforma agrária."Alckmin disse que há uma medida provisória em vigor e, portanto, com força de lei, retirando do rol de propriedades que podem ser listadas para desapropriação terras que forem invadidas. "De acordo com a lei, terra invadida não será objeto de vistoria para desapropriação nem poderá serdesapropriada por um prazo de dois anos. Isso é lei, que é para ser cumprida", alertou.Alckmin disse ainda que o governo paulista deve concluir em breve o processo de desapropriação de duas fazendas na região do Pontal do Paranapanema, terras que serão destinadas à reforma agrária. "Estamos na fase final do processo, e cada uma dessas fazendas vai possibilitar o assentamento de 80 famílias", disse Alckmin sem especificar a localização nem o tamanho das propriedades."Estamos conversando também com o governo federal para podermos receber recursos em Títulos da Dívida Agrária (TDAs), recursos financeiros mesmo, para num prazo de dois anos termos entre 1,6 mil e duas mil famílias assentadas", disse Alckmin. Segundo ele, esse número representa grande parte das famílias que hoje vivem emacampamentos, aguardando as terras.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.