Fraude das ambulâncias não deve motivar instalação de CPI

As denúncias envolvendo deputados e senadores em mais um esquema de fraudes com o Orçamento da União foram recebidas com ceticismo pelos principais líderes do Congresso. Nem mesmo os oposicionistas acreditam na possibilidade de instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar as suspeitas. A avaliação é de que a Câmara está desmoralizada depois da absolvição de dez deputados acusados de ter se beneficiado do mensalão.As denúncias dão conta de que assessores de parlamentares participaram de um esquema de superfaturamento de ambulâncias compradas para prefeituras. Entre os assessores que foram presos nesta quinta-feira pela Polícia Federal estão os que prestaram serviços aos parlamentares Vieira Reis (PRB-RJ), Nilton Capixaba (PTB-RO), Maurício Rabelo (PL-TO), Ney Suassuna (PMDB-PB), Elaine Costa (PTB-RJ), Edna Macedo (PTB-SP), João Mendes (PL-RJ) e pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE).O calendário eleitoral também cria obstáculos para a apuração de novas denúncias. "É difícil que seja aberta uma nova CPI, até porque a partir de junho os deputados já estarão em campanha eleitoral em seus Estados", disse o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que foi presidente da CPI dos Correios. Para o deputado Osmar Serraglio (PMDB-SC), que atuou como relator da mesma CPI, a saída seria adiar o início das investigações no Congresso para depois das eleições, marcadas para outubro. "Neste ano eu acho difícil, mas nós podemos fazer isso no ano que vem", afirmou.Na verdade, mesmo que houvesse tempo hábil e disposição para realizar as investigações, haveria dúvidas sobre a eficácia do processo. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) lembrou que até aqui o Congresso tem realizado com sucesso o trabalho de apurar as denúncias, mas tem falhado no momento de punir os envolvidos. "A verdade é que o Congresso apura, através de suas CPIs, mas a Câmara acaba absolvendo. Este Congresso perdeu a credibilidade", avaliou.Uma alternativa é abrir processo contra os parlamentares nos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado. Caberia aos corregedores da cada casa legislativa promover investigações com base no que já foi levantado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. O problema é que dificilmente os parlamentares seriam punidos com a cassação de mandato.O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ) avalia que, além disso, o Congresso deveria aproveitar a oportunidade para discutir o funcionamento da Comissão Mista do Orçamento. "A questão do Orçamento precisa ser resolvida. Toda vez que tem crise a responsabilidade cai para o parlamento", disse.

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