Fraude contra o INSS leva 14 servidores para a cadeia em Cuiabá

Agentes da Polícia Federal prenderam hoje 14 pessoas em Cuiabá acusadas de fraudar o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Mato Grosso. Cinco são servidores do INSS. Força tarefa composta pela PF, Ministério Público e INSS tenta prender mais oito acusados de integrar a quadrilha no Estado com a denominada Operação Tornado.Em Mato Grosso, no período de 1999 a 2004, foram autorizados pagamentos atrasados indevidos para 184 benefícios já identificados, o que causou prejuízo de mais de R$ 1,2 milhão. Um dos indícios da fraude foi que, no período de janeiro de 2003 a março de 2004, a soma de pagamentos atrasados em nove agências do Estado chegou a R$ 108,7 mil. Apenas em Várzea Grande, no mesmo período, o número foi de R$ 799,6 mil. De acordo com a Polícia Federal, o golpe era feito usando o nome de pessoas que já morreram. Os fraudadores sacavam o dinheiro no nome dos antigos beneficiários. Estão presos na carceragem da PF em Cuiabá os servidores do INSS Marly Carvalho Nascimento, Fátima de Lourdes Ribeiro da Silva, Creuza Gomes de Lima, Carmen Aparecida Ripke Belmonte e Maria José de Arruda Campos. Também estão detidos os procuradores de benefícios fraudulentos: Jamir Garcia Borba, Adilço Jovino Pulquério, Jocimeire Elza Ribeiro, Raquel Soares de Oliveira, Josias Ambrósio Ribeiro, Denes Rarcel Rocha, Almir Rodrigues de Lima e José Agnaldo Ribeiro.Operação TornadoInvestigações revelaram que os servidores envolvidos no esquema reativavam benefícios automaticamente suspensos pelo INSS, em geral inativos há muito tempo por falta de comparecimento do segurado ao banco, e efetuavam comandos para pagar valores a título de atrasados, nomeando procuradores para receber tais valores nos bancos.A Assessoria de Imprensa do INSS informou que o trabalho de investigação preliminar levantou indícios de outras irregularidades na Agência da Previdência Social em Várzea Grande, que envolvem benefícios antigos vinculados à área rural e segurados com idade superior a 80 anos, alguns inclusive nascidos em 1890. A força tarefa começou a funcionar em Mato Grosso em agosto de 2003.O superintendente adjunto da Polícia Federal em Mato Grosso, Joaquim Mesquita, disse que as investigações iniciadas no ano passado permitiram identificar um esquema criminoso, conhecido por "mortos-vivos", o qual consiste na manutenção de pagamentos de benefícios previdenciários e do pagamento de valores em atraso para beneficiários que já faleceram, ou que se encontram ausentes (morte presumida)."A Operação Tornado é resultado do trabalho de uma força tarefa reunindo o INSS e o Departamento de Polícia Federal, a qual tem por objetivo a junção de esforços para melhor combater crimes cometidos contra o INSS e que conta ainda com o acompanhamento do Ministério Público Federal", informou Mesquita.

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