Fraude contra INSS envolve 200 no Pará

Cerca de duzentas pessoas estão sendo investigadas pela Polícia Federal do Pará como suspeitas de se beneficiar de aposentadorias fraudulentas num esquema criminoso que já teria desviado mais de R$ 1 milhão do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O superintendente da PF no Estado, Geraldo Araújo, comandando uma operação realizada anteontem na capital paraense, apreendeu documentos e computadores nas residências de alguns envolvidos. Ninguém foi preso, mas alguns dos envolvidos poderão ter a prisão temporária solicitada pela PF à Justiça. Um funcionário do INSS, Albino da Silva Santana, o advogado e contador Rubim Rossas Esteves e o contador Joaquim Marçal Melo Rodrigues, além do liquidante de uma empresa, Adalberto de Souza Franco Sardo Leão, são os principais suspeitos do golpe contra a Previdência. Segundo Araújo, funcionários do próprio INSS, contadores, advogados e aposentados fariam parte de uma quadrilha com ramificações em vários municípios do Pará. A empresa Indústrias Arapiranga S/A, desativada há mais de 30 anos, vinha sendo usada pelo liquidante para fraudar os processos de aposentadoria em diversas agências do INSS em Belém. Auditores do INSS deslocados de Brasília para Belém também começaram a trabalhar na apuração das fraudes. Eles examinam 106 processos da Arapiranga encontrados nos arquivos do órgão. A PF começou a trabalhar no caso em fevereiro deste ano, depois de receber uma denúncia anônima. O líder da quadrilha, segundo Araújo, seria Adalberto de Souza Franco Sardo Leão, que se apresentava como o liquidante da Arapiranga. Ele agia munido de uma simples procuração de um sócio para vender o que restou da empresa. Na sede da Arapiranga em Barcarena, a 50 km de Belém, os agentes encontraram apenas um prédio em ruínas. Na sede do INSS, muitos processos de pessoas supostamente registradas como empregados da empresa já haviam sido deferidos. Alguns ainda estavam em andamento, enquanto outros pleiteavam certidões de tempo de serviço baseados no vínculo empregatício. Em alguns casos, o interessado na aposentadoria ingressava com reclamação trabalhista em que o liquidante, Adalberto Leão, confirmava o vínculo, sendo o tempo de serviço registrado por determinação da Justiça do Trabalho. Os livros originais de registro de empregados e os documentos da Arapiranga, explicou o chefe da PF, foram destruídos num incêndio, conforme boletim de ocorrência policial apresentado pelo liquidante para facilitar as fraudes. Todos os envolvidos negam qualquer participação no caso. Albino da Silva Santana disse que cabe à PF apresentar as provas. O superintendente do INSS, Ivanildo Menezes, afirmou que se ficar comprovada a participação de servidores do órgão estes poderão ser demitidos e processados criminalmente.

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