Fraudadores do Senado cometeram erros primários

A violação do sistema de votação eletrônica do Senado Federal no dia da votação secreta que determinou a cassação do senador Luis Estevão, foi planejada com antecedência e, nos dois dias seguintes, ocorreram várias tentativas de apagar a violação e ocultar os indícios. Para ter acesso à lista de votação, os programas de computador que operam o sistema foram adulterados. Esse sistema fraudado operou o painel durante todo o dia 28 de junho de 2000, o dia da votação. Nos dois dias seguintes ocorreram tentativas de fazer com que o sistema original voltasse a funcionar, até o dia 30, quando os fraudadores tiveram êxito. Essas conclusões fazem parte do laudo dos técnicos da Unicamp, divulgado hoje na Universidade. "A tentativa de esconder os eventos, nos dias que sucederam a fraude, foram primárias", afirmou o professor José Raimundo de Oliveira, um dos integrantes da equipe.De acordo com ele, os arquivos fraudados foram simplesmente apagados e deixaram fragmentos no disco rígido do computador. "Poderiam ter sido utilizados métodos que nunca nos permitiriam descobrir as fraudes, mas agiram de modo primário", avaliou ele. Os técnicos afirmaram também que o programa que opera o sistema de votação tem inúmeros pontos vulneráveis. "Aparentemente os fraudadores não sabiam disso. Havia uma porta aberta e eles decidiram simplesmente arrobar a janela", disse o professor.Para chegar às conclusões, a equipe analisou 57 mil linhas do programa-fonte de gerenciamento do sistema. "O programa adulterado foi construído às pressas e esse pode ser um indício de que a fraude ocorreu pela primeira vez naquele dia", afirmou o professor Marco Aurélio Andrade Henrique.

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