Frateschi descarta caixa 2 na campanha de Mercadante

O presidente do diretório estadual do PT de São Paulo, Paulo Frateschi, prestou depoimento na manhã desta quarta-feira na Polícia Federal sobre o dossiê contra políticos tucanos. Frateschi, na saída da delegacia, afirmou que a possibilidade de ter havido um caixa dois na campanha ao governo de São Paulo do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), para comprar o dossiê, está ?totalmente descartada?. Frateschi afirmou que a movimentação financeira foi feita de acordo com as regras e que as contas de campanha foram apresentadas. ?A documentação está toda no tribunal?, disse, referindo-se ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), que aprovou na terça-feira as contas de seu adversário José Serra (PSDB), que venceu a eleição. O presidente do PT disse também que, pelo que as investigações revelaram até o momento, ?tudo indica? não haver envolvimento do diretório estadual no caso do dossiê nem de nenhum membro do diretório. Frateschi afirmou que o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), que ocupava a presidência nacional do partido na ocasião, não sabia das negociações que culminaram na compra do dossiê, flagrada pela PF num hotel de São Paulo. ?Tenho certeza da sua inocência, de que não está envolvido em absolutamente nada?. O líder do PT paulista foi ouvido como testemunha, assim como Giacomo Bacarin, coordenador financeiro da campanha de Mercadante, e Antônio dos Santos, tesoureiro do PT em SP, que serão ouvidos nesta tarde pelo delegado Diógenes Curado Filho. Responsável pelas investigações, Curado tem até a próxima quarta-feira para concluir o inquérito. Entenda o caso dossiê Em 15 de setembro, a Polícia Federal prendeu em Cuiabá um dos donos da Planam, Luiz Antonio Vedoin, e seu tio Paulo Roberto Trevisan, que estavam negociando a venda de informações contra tucanos. Depois da prisão de Vedoin e Trevisan, a PF de Mato Grosso avisou a de São Paulo, que horas depois prendeu na capital outros dois integrantes do esquema, os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Eles estavam no hotel com parte dos R$ 1,75 milhão que seriam usados na compra do material pelo PT. Gedimar disse à Polícia que o mandante da operação era Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência. Mas, relatório parcial da PF aponta Jorge Lorenzetti, ex-coordenador do setor de inteligência da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, como mentor da ´negociação´. Durante as investigações, outras figuras próximas ao presidente aparecem no caso: Ricardo Berzoini, ex-coordenador de campanha de Lula e ex-presidente nacional do PT; Hamilton Lacerda, ex-assessor de Aloizio Mercadante; Expedito Veloso, do Banco do Brasil; Oswaldo Bargas, ex-Ministério do Trabalho. O chamado dossiê Vedoin continha um CD, fotos e alguns documentos envolvendo os dois tucanos na máfia das ambulâncias - esquema liderado pela Planam, que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras de todo o Brasil. As irregularidades deste caso foram descobertas meses antes pela PF e chegaram a movimentar R$ 110 milhões.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2006 | 13h30

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.