Franklin Martins diz que TV pública será generalista

A futura rede de TV pública brasileira ?não vai se guiar pela lógica comercial, pois não precisará de altos índices de audiência? e para implantá-la o governo trabalha agora na definição de três modelos: de gestão, de financiamento e de rede pública. Assim o ministro da Secretaria da Comunicação Social, Franklin Martins, antecipou na segunda-feira, 23, no programa Roda Viva, da TV Cultura, os passos que o governo vem dando desde que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou a idéia. Franklin disse que o governo espera definir esses três modelos gerais em 20 dias. E, em 70 dias, espera ter o projeto pronto.Num debate entre o ministro e os jornalistas convidados que logo se tornou tenso, ele avisou que a nova rede ?será generalista? e terá um pouco de tudo: ?Vai experimentar, vai mostrar os vários Brasis, fará debates, terá jornalismo e estará aberta à produção independente. Hoje temos a Radiobrás, a TV Educativa do Rio e a do Maranhão. A idéia é fundir, uma parceria que vá aos poucos formando essa rede pública?, explicou.O importante, insistiu, é o modelo de gestão. ?Não é o Estado que manda. O governo nomeia, mas a representação é da sociedade. No mundo inteiro é assim, por que aqui não pode ser??Quanto a possíveis interferências externas, Franklin argumentou: ?A TV comercial também tem. Mas a TV pública terá um espectador atento, vigilante, que cobra e pressiona. E dá pra fazer jornalismo baseado em fatos.? Como exemplo, reclamou da fraca cobertura que a imprensa brasileira dá à África. ?Que TV brasileira tem programa sobre a África? Alguma tem correspondente na África?? Para o ministro, a televisão comercial ?arrisca pouco?.Ele disse ainda que ?não era a posição do governo? a expressa por Hélio Costa, quando disse que Lula pensava na TV pública por não conseguir espaço nas TVs privadas. Entrevistas coletivasSobre a promessa do presidente de que cansaria a imprensa de dar entrevistas coletivas, ainda não cumprida, Franklin prometeu que esse tipo de encontro ocorrerá, mas não precisou datas. O ministro afirmou que jornalistas consideram a possibilidade de fazer tréplicas ao presidente fundamental, mas isso só é verdade ?em termos?. ?É uma entrevista, não é um debate?, alegou.Numa comparação entre seu cargo hoje e seu trabalho na TV privada, o ministro admitiu que desfrutava de mais liberdade. ?Mas na rede pública eu teria mais de um minuto pra dizer o que queria?, ressalvou. Franklin observou que ?não tem essa satisfação toda? com o que faz a mídia privada.

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