Franco nega acusações feitas por ministro do TCU

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, encerrou, por volta de 12h30, sua exposição de quase duas horas na CPI do Banestado. Ele procurou comprovar a legalidade da regulamentação feita em abril de 1996 para remessas de divisas na região de Foz do Iguaçu. A CPI investiga a denúncia de que a regulamentação favoreceu a evasão de divisas na região. Franco defendeu-se das acusações feitas à CPI do Banestado pelo ministro Adilson Motta, do Tribunal de Contas da União (TCU), quanto à remessa irregular de recursos para o exterior por contas CC-5, durante sua gestão do BC. Franco negou a denúncia de que o BC teria dispensado a identificação dos depositantes dessas contas. Segundo ele, tampouco procede a informação de que a autorização concedida pela Diretoria de Câmbio do BC para acabar com o limite de R$ 10 mil nessas contas tenha ocorrido sem o conhecimento da diretoria do Banco Central. Segundo Gustavo Franco, está havendo "um enorme equívoco" no relatório do TCU, até por falta de encaminhamento de documentos provando as denúncias contra ele. Segundo Franco, foi o BC quem primeiro alertou o Ministério Público e a Receita Federal, em abril de 1997, sobre o esquema irregular de Foz do Iguaçu. "Os prejuízos ao País na remessa ilegal de recursos foram causados por fraude, e não pelas normas do Banco Central", sustentou.Ele alegou que, logo quando ficou comprovada essa fraude, o BC poderia ter revogado a autorização desses depósitos acima de R$ 10 mil, mas que isso implicaria entregar a movimentação aos doleiros e estimular o valor do dólar paralelo no País. "Seria fácil fechar as autorizações das contas CC-5", disse. "Mas isso jogaria nas mãos dos doleiros toda a movimentação legal ocorrida em todas as fronteiras do País". A expectativa é que a sessão da CPI se arraste até o fim do dia, pois Franco fez apenas sua exposição inicial, e o questionamento dos parlamentares somente se iniciou há pouco. A sala de sessões da CPI está lotada e conta com a presença, também, de diversos parlamentares do PSDB, inclusive o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), e a deputada Yeda Crusius (RS), dispostos a defender Franco.

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