Franceses chegam com charme de Carla Bruni

Primeira-dama devolveu glamour ao governo francês

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Onipresentes nos prédios públicos do país, os seios de uma jovem e linda mulher, Marianne, representam desde 1792, época da Revolução, os valores fundamentais da República da França: liberdade, igualdade e fraternidade. Hoje, outra mulher, ainda mais atraente, vem lhe usurpando esse papel ao representar uma França bem mais moderna: Carla Gilberta Bruni Tedeschi - ou Carla Bruni-Sarkozy. Como primeira-dama do país, a ex-top model e cantora devolveu o glamour ao Palácio do Eliseu.Membro de uma tradicional família de Turim, Carla viveu apenas seus primeiros anos de vida na Itália. Em 1973, aos seis anos, mudou-se com os pais para a França, auto-exilados por temer a ação das Brigadas Vermelhas na Itália. Em Paris, foi educada em meio ao "bling-bling" - a expressão que designa a vida glamourosa da alta sociedade francesa.Egressa de uma família tradicional, Carla construiu seu próprio sucesso - e por duas vezes. Aos 19 anos, a fama lhe bateu à porta pela primeira vez. Em nome da carreira de modelo, abandonou a Faculdade de Arquitetura para se tornar um dos rostos mais bem pagos do mundo da moda entre os anos 1980 e 90. Dez anos depois, encerrou a carreira para se dedicar a um novo desafio: tornar-se cantora e compositora. Novo sucesso de público.Suas múltiplas relações amorosas, incluindo um triângulo com o editor literário Jean-Paul Enthoven e com seu filho, Raphael - com quem teve um filho -, e com astros como Mick Jagger e Eric Clapton, renderam-lhe o carimbo de "devoradora de homens".Foi com esta fama que, em dezembro de 2007, chegou ao Palácio do Eliseu. Nos três meses de namoro com Nicolas Sarkozy, 53 anos, ela ainda protagonizou um ensaio nu - para incredulidade dos mais conservadores - antes de se casar, substituindo Cecilia Ciganer-Alberniz no papel de primeira-dama.Jornais sisudos, como o conservador Le Figaro, passaram a questionar: seria a mulher ideal para representar o país no exterior? Madame Bruni-Sarkozy ainda precisava de um teste de fogo. A certeza veio na visita à rainha do Reino Unido, Elizabeth II, em março. Sóbria, educada e elegante, Carla ofuscou o marido. Continuou depois a firmar sua imagem no exterior, seja recebendo o Dalai Lama - contrariando os interesses da China -, seja trabalhando em prol de vítimas da Aids, a doença que em 2006 vitimou seu irmão, Virginio. No Brasil, onde vive Maurizio Remmert, seu pai biológico, deve anunciar ações altruístas nos morros cariocas. E, na terça-feira, faz 41 anos.

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