Francenildo rejeita reparação da CEF por quebra de sigilo

Advogado do caseiro diz que valor oferecido de R$ 35 mil não se compara ao pedido inicial de R$ 17 milhões

ROSA COSTA, Agencia Estado

05 de agosto de 2008 | 20h00

O caseiro Francenildo Costa rejeitou nesta terça-feira, 5, a proposta da Caixa Econômica Federal (CEF) de reparar com a indenização de R$ 35 mil o crime de violação bancária praticado contra ele há dois anos. Uma nova audiência foi marcada para daqui a dez dias pelo juiz Itagiba Catta Neto, da 4ª Vara Federal, a pedido dos representantes da Caixa. Até lá, os advogados da CEF esperam obter autorização da diretoria para chegar a uma indenização de pelo menos R$ 50 mil.       Veja também: Palocci recusa pena alternativa no processo sobre violação de sigiloO advogado do caseiro, Wlicio Chaveiro Nascimento, lembrou que o valor não se compara ao pedido inicial de R$ 17 milhões, adotado com base na "gravidade do ato e sua motivação e o lucro auferido pela Caixa". Mas alegou que não pode ignorar as dificuldades de sobrevivência enfrentadas por Francenildo, desde março de 2006, quando o jornal O Estado de S. Paulo publicou seu relato sobre a mansão do Lago Sul, onde trabalhava, freqüentada pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e seu amigos de Ribeirão Preto, em que seriam realizadas festas com garotas de programa e ocorreria suposta partilha de dinheiro. Palocci era chamado no local de "chefe", como contou Francenildo na CPI dos Bingos. Francenildo acusa Palocci de ter ordenado a quebra de seu sigilo bancário, para pressioná-lo a se calar. "O que eu temo é que esse valor, em vez de inibir, termine estimulando a prática condenável de um crime", alegou o advogado. Na primeira audiência de instrução, dia 30 de junho, os advogados da Caixa insistiram na proposta de uma indenização de R$ 15 mil. Na audiência desta terça, o caseiro chegou a dizer ao juiz que aceitaria a indenização de R$ 50 mil, não por concordar com ela, mas por "duvidar da Justiça do País". "Se tivesse lei no nosso País, eu não aceitaria, como não tem, sou obrigado a aceitar", afirmou. Ele disse que continua confiando na condenação do ex-ministro Palocci, apesar de ouvir "pessoas dizendo que os ricos nunca vão preso no Brasil". "O que eu queria mesmo é sumir, sair daqui, esquecer de tudo o que aconteceu", desabafou.

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