França muda embaixador no Brasil de olho em parceria

Yves Saint-Geours vai substituir Antoine Pouillieute e intermediar acordo em torno da caças Rafale

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

30 de setembro de 2009 | 15h29

O presidente do comissariado do Ano da França no Brasil e atual presidente do museu Grand Palais, de Paris, Yves Saint-Geours, 57 anos, será o novo embaixador da França em Brasília. A informação foi obtida pelo Estado na tarde desta quarta-feira, 30, em Paris, e confirma a especulação recorrente de que o atual embaixador, Antoine Pouillieute, deixará o cargo. À frente da representação francesa, Saint-Geours terá a missão de intermediar a Parceria Estratégica firmada entre os dois governos.

 

A confirmação da mudança foi feita no final da tarde desta quarta pelo Ministério das Relações Exteriores da França - antes mesmo que o Itamaraty anunciasse a informação de forma oficial. "Nós nos felicitamos que sua nomeação tenha recebido a concordância rápida das autoridades brasileiras. Isso é testemunha da qualidade e da confiança excepcional que marca as relações entre nossos dois países", disse a nota oficial do MRE francês.

 

Segundo Paris, a nomeação de Saint-Geours "se inscreve na continuidade" da gestão de Antoine Pouilleute à frente da representação francesa. A substituição, asseguram fontes diplomáticas dos dois países, era prevista e tem a ver com o fim do tempo de permanência de Pouilleute no Brasil, onde desempenha suas funções desde 2006. A troca no posto acontecerá em 20 de novembro, após o encerramento das atividades do Ano da França no Brasil.

 

A maior missão do novo representante será intermediar os acordos militares e civis celebrados em torno da Parceria Estratégica entre os dois países. No momento, o maior importante deles diz respeito à compra de aviões de caça na licitação FX-2, para a qual as aeronaves Dassault Rafale são favoritas.

 

Diplomata de carreira, Saint-Geours exerceu o cargo de embaixador da França uma única vez, na Bulgária, entre 2004 e 2007. Desde então, estava afastado das atividades políticas, presidindo o prestigiado museu Grand Palais, um das referências em cultura do país. Sob sua gestão, a instituição recebeu a mostra mais bem sucedida da história recente da França, a exposição Picasso e os Mestres, encerrada no início do ano. O reconhecimento no meio cultural lhe valeu o posto de presidente do Ano da França.

 

Além de diplomata e homem de cultura, Saint-Geours também é doutor em História e ex-docente de instituições de renome na França, como o Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po) e a Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (EHESS). Dentre os quatro livros que publicou, três têm relações com América Latina: "A América Latina - da Independência aos Nossos Dias", "Estados y Naciones en Los Andes" e "La vie quotidienne en Amérique du Sud au temps de Bolivar".

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