França diz que venda dos Rafale ainda não é certa

Para ministro, venda de equipamentos militares é fruto da combinação entre bons produtos e iniciativa política

Andrei Netto, de O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 15h37

Depois do imbróglio em Brasília, o governo francês não dá mais por concluída a venda dos 36 aviões de caça Rafale ao Brasil. Nesta quinta-feira, em Paris, o ministro da Defesa, Hervé Morin, endossou a versão brasileira, afirmando que a negociação vai começar agora. Segundo o executivo, a prioridade será dada à Dassault, mas que nada está definido, e a concretização da venda dependerá de variáveis como o financiamento, a transferência da tecnologia, os processos industriais, a cooperação e os sistemas de armas.

 

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Diante da intensificação do lobby norte-americano pelo concorrente F-18 Super Hornet, da Boeing, diz Morin, a venda só será considerada concluída quando as duas partes assinarem os contratos, o que pode acontecer no horizonte de oito a nove meses. O ministro falou pela primeira vez sobre a polêmica ontem, em entrevista à rádio RTL, de Paris. Segundo ele, a negociação em torno da venda "começou bem", mas estaria apenas no começo. "O comunicado (conjunto emitido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy) diz que as negociações vão ser engajadas de forma prioritária com o Rafale", explicou.

 

"Haverá daqui para a frente uma discussão ao mesmo tempo sobre o financiamento do programa, sobre as transferências de tecnologia, os processos industriais, as cooperações industriais, o sistema de armas incluído e o contorno das prestações de serviço fornecidas pela fábrica", afirmou Morin, definindo as negociações em uma frase: "A venda começou bem. Ela será conquistada no dia em que for assinada".

 

Morin também endossou de forma indireta as declarações do diretor-presidente da Dassault Aviation, fabricante dos Rafale, Charles Eldestenne, que em entrevista ao Le Monde afirmou que Sarkozy vendeu os aviões ao Brasil, e não a companhia. Para o ministro, a venda de equipamentos militares é fruto da combinação entre bons produtos e iniciativa política. "Se não tem um dos dois, você não vende."

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