Fraga diz que Brasil 'tem cura' e critica governo

O ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga, principal coordenador do programa econômico da campanha do candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, voltou a afirmar nesta quarta-feira, 13, que o Brasil "tem cura". Fraga, que participa do 6º Fórum Exame, que acontece em São Paulo, fez uma lista extensa de problemas que vê no atual governo e tentou apresentar soluções para cada um deles.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, FERNANDA GUIMARÃES E RICARDO LEOPOLDO, Estadão Conteúdo

13 de agosto de 2014 | 15h01

Fraga destacou que, com mais investimentos, a qualidade de vida das pessoas vai aumentar e, em consequência, elas se tornarão mais produtivas. "Não é verdade que o brasileiro é preguiçoso, e o Brasil tem cura", disse. Fraga criticou quem tenta passar para a sociedade que a oposição quer fazer um arrocho na economia. "Isso não é verdade. Na verdade, o arrocho já aconteceu. A inflação está em 6,5%", criticou.

Ele disse que o quadro atual "é consequência de um modelo econômico antiquado". "Há hoje um quadro de perda de confiança, as expectativas estão indefinidas, os indicadores antecedentes estão muito baixos. Para resolver isso, temos em mente um roteiro, que eu diria que é muito básico. Não exige pirotecnia nenhuma. Temos que ter uma taxa de inflação baixa, crível e podemos chegar a 4,5%", pontuou.

Com isso, segundo Fraga , a população será beneficiada como foi no passado pelo Plano Real. "O ajuste será com certeza virtuoso e do lado fiscal temos que oferecer muita transparência", disse Fraga, emendando. "Pretendemos acabar com o populismo cambial. Hoje, o câmbio tabelado está minando nossas contas externas. Temos assumido publicamente fazer uma reforma tributária."

Fraga salientou o que ele chama de congelamento do câmbio para segurar a inflação e disse acreditar que os preços relativos precisam ser ajustados. O ex-BC também citou as desonerações e o crédito subsidiado à indústria, acrescentando que a despeito de todos os incentivos o setor nunca esteve tão ruim.

"Dizem que basta estimular demanda que a economia cresce e isso não está acontecendo. Os investimentos estão em 18% do PIB há muito tempo", afirmou.

Uma medida que, segundo Fraga, os partidos da situação têm tentado passar é que a oposição vai promover um tarifaço se vencer as eleições. Para ele, mais importante seria perguntar: quem fez esse congelamento de preços que tem levado, por exemplo a Petrobras ao nível de uma das empresas mais endividadas do mundo? "Depois teve tudo o que aconteceu no setor elétrico, que está mal desenhado, mal operado. E a conta vai subindo", criticou

De acordo com Fraga, num eventual governo Aécio Neves o foco será direcionado ao que realmente é importante. "Vamos aumentar os investimentos de 18% para 24% do PIB."

"Reforma tributária é prioridade"

Fraga afirmou que a reforma tributária será prioridade de um governo tucano. Segundo ele, a proposta que a nova administração federal para uma nova estrutura de tributos terá o IVA, que será composto por ICMS, IPI, PIS e Cofins. "É um projeto que será apresentado na largada no governo", destacou. Segundo ele, contudo, não é possível saber agora em quanto tempo ela seria aprovada, pois envolve diversos entes da federação, como Estados e Municípios.

Segundo Fraga, "o momento chegou" para a realização da reforma tributária no País, pois ela vai gerar eficiências na economia. "Faltou iniciativa do governo", comentou, referindo-se ao empenho da administração Dilma Rousseff para viabilizar uma mudança na estrutura de tributos no País. Na sua avaliação, o Poder Executivo até tentou, mas poderia ter feito mais para que fosse concretizada. "Eu particularmente estou cautelosamente otimista sobre a realização da reforma tributária", ponderou.

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