Fracassa tática de negociação com tucanos

Governadores tucanos aliados do Planalto na defesa da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) já captaram na bancada do PSDB no Senado sinais de resistência à pregação. Assim, a tática do Planalto de negociar com os governadores da legenda no varejo, para arrebanhar votos em favor da emenda que prorroga o imposto do cheque, fracassou.Ao optar por essa estratégia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, agradaram a governadores de Estados pequenos, como a Paraíba de Cássio Cunha Lima, ou de menor peso político no partido, como o Rio Grande do Sul de Yeda Crusius. Deixou de fora, no entanto, os dois governadores mais influentes - Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) - e, pior, ainda irritou a cúpula do partido.Serra e Aécio, que esperavam ser chamados para conversar com Mantega ontem, receberam apenas telefonemas. E em vez de uma proposta ousada que pudesse sensibilizar os senadores, revelando disposição do governo de ?pôr a mão no bolso? e ceder recursos em favor dos Estados, do setor produtivo e do cidadão, como sugerira Aécio, ouviram uma negativa do ministro. Segundo um dos vários governadores tucanos com os quais Mantega conversou nas últimas 48 horas, o ministro deixou claro que as concessões que o governo tinha a fazer, no atacado, já foram feitas e negociadas com a base aliada. Em conversa reservada ontem, Aécio reclamou que Minas não obteve nenhum ?agrado? do governo que pudesse virar votos no Senado. ?O PAC em Minas é ficção. O Estado não recebeu um único real. Só houve transferência substancial de recursos para Belo Horizonte e Contagem, que são prefeituras petistas?, desabafou o governador a um parlamentar. As principais reivindicações de Serra e Aécio - a partilha com os Estados dos recursos da Cide (contribuição cobrada sobre o preço dos combustíveis) e a redução de PIS e Cofins para empresas de saneamento - foram ignoradas pela equipe econômica. Um dirigente tucano próximo a Serra diz que, diferentemente de Minas, São Paulo não tem queixas do governo federal este ano. Serra já avaliou que a relação do Estado com a União tem sido ?muito positiva?. Ele reconhece que houve uma ação do governo federal para facilitar a vida dos Estados este ano e cita não só o aumento do limite de endividamento de São Paulo como a previsão de R$ 1,3 bilhão do PAC para uma obra do Rodoanel. O problema, segundo o dirigente tucano, é que isso não dá argumentos a Serra para fazer a defesa da CPMF na bancada, virando votos, nem sustenta um discurso público do partido em defesa do imposto do cheque. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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