FPA acusa Marina de sectarismo por rejeição a Caiado

Em resposta à rejeição da ex-senadora Marina Silva ao possível apoio do DEM à candidatura presidencial do governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) em 2014, a Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso Nacional também saiu em defesa do líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO). Composta por 162 deputados e 11 senadores, a bancada acusa a principal líder da Rede Sustentabilidade, partido em formação, de praticar o "sectarismo".

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

11 de outubro de 2013 | 17h21

"O setor produtivo só pode lamentar a demonização de sempre e dizer que o maior inimigo do desenvolvimento são os rótulos, as resistências vãs e a ignorância quando não deseja ser superada", diz a nota divulgada na tarde desta sexta-feira, 11.

Com o título "Marina mal conseguiu um espaço e já começou a prática do sectarismo", a nota diz que alguns ambientalistas políticos insistem em usar a Rede como forma de boicotar a reeleição da presidente Dilma Rousseff. "Salta aos olhos dos mais atentos, o fato da estrutura proposta pelo novo embrião partidário ser em si uma ameaça ao ''meio ambiente'' confortável em que se proliferou a indústria partidária desse País", afirma o texto. "Dizer que os ruralistas são inimigos do produtor rural, que boicotaram, podaram ou emperraram o Código Florestal, já é caso de distorção de realidade", destacam os ruralistas. A bancada se pergunta se Marina continuará "dividindo" o País.

A Frente Parlamentar reclama da falta de apoio do governo ao setor do agronegócio e aproveita para alfinetar os "índios louros de olhos azuis" vinculados às ONGs ambientais. "O setor rural é o filho órfão do País que deu certo. Mesmo com a calça rasgada no traseiro e subnutrido, conseguiu crescer, se aprimorar, atingindo status de ameaça ao setor produtivo de outros países. Prova disso é que as ONGs estão por toda parte, ora de cocar, ora de roupa caqui de safári com etiqueta de biólogo para dizer aos brasileiros que o patrimônio natural e cultural nosso está sendo ameaçado. E como somos desnutridos também em informação de qualidade, acreditamos nos índios louros de olhos azuis e coração ''fértil'', acusa.

Na nota, os ruralistas dizem que "até mesmo as novas promessas se utilizam dos velhos discursos" e defendem a convergência política. "Ou seria a comida que a senadora se alimenta outra que não a produzida em solo nacional?", provocam.

Entidade

Além da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) se manifestou nesta tarde em solidariedade à atuação de Caiado em defesa do setor. A entidade diz que viu com "estranheza" e indignação as declarações de Marina e que não compreende a "intolerância e hostilidade" contra produtores rurais e seus representantes.

"Discriminar o mais moderno setor da economia brasileira, responsável por 1/3 do Produto Interno Bruto (PIB), 37% dos empregos, e pelo superávit de US$ 80 bilhões na balança comercial, não condiz com a postura que se exige de alguém que pleiteia ocupar o mais alto cargo da república. De um estadista, espera-se a liderança política com sabedoria e sem limitações partidárias e/ou ideológicas", afirma a nota. "Rotular o agronegócio como ''atrasado'' é desconhecer a realidade de um setor que apresenta taxas chinesas de crescimento e ímpeto americano de inovação, enquanto a maior parte da economia patina", acrescenta.

A entidade afirma também que ao "destratar" o agronegócio, a ex-senadora "colabora para a disseminação de preconceitos com relação ao produtor rural brasileiro, seja ele familiar, pequeno, médio ou grande".

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