Fotos terríveis e novos alertas nos maços de cigarro

Uma perna necrosada, uma boca e um pulmão tomados por câncer, rato e baratas mortos, um feto abortado. Dentro de nove meses, estas serão algumas fotos que deverão estar estampadas nas embalagens de cigarros do País. Além da troca das imagens, frases de advertência sobre os malefícios do tabaco serão substituídas e outros alertas, incluídos. As mudanças foram anunciadas hoje pelo Ministério da Saúde, para tornar o maço de cigarro o menos atrativo possível tanto para fumantes quanto para não-fumantes. A indústria tabagista terá nove meses para se adaptar às exigências. Passado este prazo, fica proibida a comercialização de cigarros com embalagens antigas. Pelas novas regras, os maços terão de trazer o alerta ?Este produto contém mais de 4.700 substâncias tóxicas e nicotina, que causa dependência física ou psíquica. Não existem níveis seguros para consumo dessas substâncias.? Também torna-se obrigatória a frase: ?Venda proibida a menores de 18 anos?, que substitui a atual ?Somente para Adultos? ou ?Produto para maiores de 18 anos.? O teor de alcatrão e nicotina e monóxido de carbono não poderão mais ser associados ao nome da marca do produto. As medidas estão contidas em uma resolução que será publicada sexta-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As mudanças também vão afetar as peças publicitárias de cigarro, exibidas nos locais de venda. Tais peças terão de estampar as mesmas iluustrações e o alerta sobre as 4.700 substâncias tóxicas. As mudanças previstas na resolução atendem uma pesquisa feita pelo Disque Pare de Fumar, um serviço do Ministério da Saúde criado para dar informações sobre os malefícios do cigarro e as terapias existentes para abandonar a dependência. No levantamento, 79% dos entrevistados disseram que as fotos de advertência deveriam ter mais impacto do que as atuais. As fotos para essa nova fase da política anti-tabagista, dez ao todo, foram selecionadas a partir de uma pesquisa feita com 72 jovens, entre 15 e 19 anos, residentes nas cidades de São Paulo e Porto Alegre. A divulgação do Disque Pare de Fumar deverá ser mais evidente nas novas embalagens de cigarro. O ministério garante que o serviço estará apto a suprir o maior número de ligações. No entanto, fumantes que queiram abandonar o vício devem esbarrar em uma dificuldade: o escasso número de centros de atendimento especializados para esse tratamento. Criada pelo Ministério da Saúde em 2002, a rede de atendimento previa a instalação de 120 centros no primeiro ano. O número alcançado, porém, está muito longe da meta: 50 em funcionamento, 40 dos quais cadastrados.

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