Fotógrafo de jornal de Ipatinga (MG) é assassinado com três tiros

Vítima trabalhava em dupla com repórter morto na mesma região há 37 dias

Gabriel Manzano, de O Estado de S. Paulo,

15 Abril 2013 | 22h21

SÃO PAULO - O repórter fotográfico Walgney Assis Carvalho, 43 anos, foi morto no domingo, 14, à noite com três tiros em Coronel Fabriciano, perto de Ipatinga, cidade do interior mineiro. Ele trabalhava em dupla com o jornalista Rodrigo Neto - assassinado na mesma região há 37 dias - para o Jornal Vale do Aço. A suspeita é que Walgney, que também trabalhava para a polícia, tenha sido eliminado por conhecer os autores do crime anterior.

Foi o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, deputado Durval Ângelo (PT-MG), quem levantou a hipótese de a morte de Walgney ser “queima de arquivo”. “A CDHumanos, logo após a morte de R Neto, recebeu denúncias de que ele sabia autoria”, escreveu ele no Twitter em mensagem encaminhada à ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

“Como Rodrigo, ele sabia demais”, disse horas depois ao Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), de Nova York, o jornalista ipatinguense Fernando Benedito Jr., amigo pessoal de Rodrigo Neto. Até a tarde desta segunda-feira, 15, no entanto, os policiais ainda não tinham elementos para ligar os dois crimes. Horas depois do episódio o jornalista do Jornal Vale do Aço que atuava no setor policial decidiu abandonar sua função.

Foi o terceiro crime cometido em 2013 contra jornalistas no Brasil. Além de Rodrigo Neto, em 8 de março, também o cearense Mafaldo Góes foi morto com vários tiros, em 22 de fevereiro, em Jaguaribe, no interior do Ceará. Nas contas do CPJ, acrescido o crime de domingo, o Brasil divide com o Paquistão o segundo lugar entre os países mais perigosos para jornalistas no ano, cada um com três vítimas. No topo está a Síria, com sete mortes.

Apuração 'rigorosa'. Em nota oficial divulgada na manhã desta segunda, o governador mineiro Antonio Anastasia determinou “apuração rigorosa” do caso “bem como maior celeridade” na investigação do crime contra Rodrigo Neto. Anastasia também despachou para Ipatinga o chefe do Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoas, Wagner Pinto, com mais quatro delegados e dez investigadores. Na noite de domingo, uma nota da Secretaria da Defesa Social informava que “os suspeitos (do crime do domingo) já estão identificados”.

Em nota oficial, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou o homicídio, “que parece se inserir na lógica de queima de arquivo de outras ocorrências da região”. Para a entidade, “é importante que autoridades de todas as esferas se unam para elucidar as duas mortes com rapidez”.

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