Fórum social reunirá 2 mil índios, mas foco será a crise

Povos indígenas da Amazônia ganham destaque e buscam agenda comum

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2009 | 00h00

Cerca de 2 mil índios do Brasil e de outros países da região amazônica deverão participar da nona edição do Fórum Social Mundial, que começa amanhã, em Belém, no Pará. Eles terão uma posição de destaque na marcha de abertura do evento e, nos dias seguintes, tentarão definir uma agenda comum de ações. Na Tenda dos Povos Indígenas, que funcionará na Universidade Federal do Pará, discutirão temas como a demarcação de terras, grandes projetos econômicos que afetam suas comunidades e preservação ambiental.Pelo planejamento inicial do fórum, discutido dois anos atrás, a questão da Amazônia e os efeitos do desmatamento no equilíbrio ambiental do planeta seriam os principais eixos das discussões do evento. Naquele contexto, previu-se que a participação dos índios, ribeirinhos e quilombolas teria enorme importância. Foi organizado até um esquema especial de doações, para financiar suas viagens.De lá para cá, porém, o cenário mudou. Com a eclosão da crise financeira e econômica internacional, a questão amazônica deve ficar em segundo plano. O principal eixo passará a ser o debate de propostas alternativas ao modelo neoliberal que regeu a globalização e acabou resultando na crise atual.Para os organizadores do fórum, o seu lema - "Outro Mundo É Possível - nunca esteve tão atual. Mas não se deve esperar de Belém nenhuma declaração conjunta ou proposta de mudança global. O fórum, que começou em 2001, em Porto Alegre, não é uma entidade ou organização. Funciona principalmente como espaço de debate, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações contrárias ao neoliberalismo.TENSÃOHoje um dos principais pontos de tensão interna do fórum - refletido nas reuniões do seu Conselho Internacional - é justamente a possibilidade de se definir no evento posicionamentos políticos e ações globais. Algumas agremiações sociais, entre eles o Movimento dos Sem-Terra (MST) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), defendem essa proposta. Do outro lado encontram-se principalmente as grandes ONGs europeias.O momento político mais importante do fórum deverá ocorrer na quinta-feira, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá em Belém com seus colegas Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Rafael Correa (Equador) e Hugo Chávez (Venezuela). Para alguns líderes do fórum, são chefes políticos que procuram, de maneiras distintas, alternativas ao neoliberalismo.Outros setores, porém, veem com restrições a participação de governantes. No início, aliás, o fórum fazia restrições expressas à participação de governantes, assim como de partidos.

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