Fórum Social leva casos dengue ao RS

Desde o início do ano, o Rio Grande do Sul já registrou 58 casos de dengue, todos de pessoas contaminadas fora do Estado. Segundo informou à Agência Estado o secretário municipal de Saúde, Joaquim Kliemann, a "esmagadora maioria" desses casos ocorreu na segunda quinzena do mês de janeiro, com a chegada de pessoas para o Fórum Social Mundial, que terminou hoje em Porto Alegre e reuniu cerca de 60 mil pessoas. Seis desses casos foram registrados no Acampamento da Juventude, todos de jovens provenientes do Rio de Janeiro.Com a comprovação clínica da presença da doença no Estado, a secretaria de Saúde pretende intensificar as ações para que ela não se alastre. Durante o fórum, foram distribuídos folhetos educativos em português e espanhol, alertando para os perigos e informando sobre os cuidados a serem tomados. Ao falar a respeito das medidas preventivas que as secretarias estadual e municipal de Saúde estão adotando para evitar a epidemia, Kliemann reclamou que o Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram os dois únicos Estados que não receberam verba do Ministério da Saúde para a campanha de combate à dengue. "Talvez porque não havíamos, ainda, registrado nenhum caso", considerou.Para o vereador líder da bancada do PMDB na Câmara Municipal de Porto Alegre, Sebastião Melo, a falta de recursos do Ministério da Saúde para o combate à dengue não é descaso do governo federal, e sim do próprio município. Melo entregou ao ministro da Saúde, José Serra (PSDB), durante visita do ministro ao Estado, no sábado, a íntegra de uma denúncia com informações de que a prefeitura, através de projeto de lei, destinou recursos da ordem de R$ 1,4 milhão para a compra de edifícios, com o objetivo de alocar funcionários, em detrimento das ações de vigilância sanitária.Todos os casos confirmados no Estado foram de dengue clássica, a forma mais branda. Porém, o secretário alertou para os cuidados a serem tomados para que a pessoa infectada não contraia novamente a doença. "Não há vacina para a doença e, caso a pessoa seja picada pelo mosquito transmissor (Aedes aegypti) mais de uma vez, corre o sério risco de contrair a forma mais perigosa, que é a hemorrágica". Ele esclareceu, ainda, que o mosquito transmissor se reproduz em água limpa, e não em água suja: "É um mosquito elitista."

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