Fórum Social em 2002 pode ser no exterior

A predominância político-partidária do PT no Fórum Social Mundial, inclusive com manifestações semelhantes a de comícios eleitorais, pode levar a próxima edição do evento para fora do Brasil. Seria uma forma de garantir também uma internacionalização maior da reunião que teve, neste ano, uma conotação nacional e, no máximo, latino-americana. Há pressão para que a reunião de 2002 seja realizada novamente na capital gaúcha, o que daria um trunfo ao PT nas eleições estadual e presidencial, mas parte da coordenação do fórum está preocupada com essa partidarização e quer barrá-la."Não podemos deixar que esses efeitos político-partidários acabem afogando o fórum. Seria um desserviço que se prestaria a causa das organizações que resistem ao neoliberalismo", disse Francisco Whitaker, da Comissão de Justiça e Paz e um dos coordenadores da reunião. Segundo ele, o predomínio do PT neste encontro foi conseqüência da escolha da cidade de Porto Alegre, que é administrada pelo partido desde 1988, para sediar o evento. O predomínio de um partido, de acordo com Whitaker, não é "desejável de jeito nenhum", lembrando que a coordenação do fórum, desde o primeiro momento, convidou apenas ONGs e movimentos sociais, excluindo partidos. Segundo ele, a força do evento e a presença da mídia abriram espaço para os políticos."Decidimos que o fórum vai rodar o mundo", afirmou Whitaker, embora ainda não se tenha absolutamente nada decidido sobre o próximo encontro. A coordenação constatou que houve uma subrepresentação internacional neste ano. Países, como Grécia e Dinamarca, tinham, por exemplo, apenas um representante cada. "Precisamos ver o que é melhor para o fórum", disse o coordenador, pensando numa maneira de ampliar a discussão internacional dos assuntos levantados nesta primeira edição do Fórum Social.A África do Sul já foi sondada, pela coordenação, sobre a possibilidade de sediar o próximo evento, mas o país dificilmente poderia aceitar a tarefa já que dois grandes eventos internacionais neste ano mobilizarão os esforços das organizações civis locais. Um intelectual da Grécia, em contrapartida, ofereceu seu país para o próximo fórum. A grande repercussão do fórum fez que não faltem interessados em sediar o encontro de 2002."Não podemos tomar uma decisão de afogadilho", resumiu Whitaker, explicando que a coordenação terá sua última reunião de trabalho amanhã, quando deve começar a pensar em 2002.

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