Fórum quer ensino integral para fim do trabalho infantil

A campanha que será veiculada no rádio e na televisão a partir desta quarta-feira

03 de junho de 2009 | 18h48

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançam nova campanha contra o trabalho infantil. A campanha que será veiculada no rádio e na televisão a partir desta quarta-feira, 3, reforça a importância da escola na infância e tem como tema Com Educação Nossas Crianças Aprendem a Escrever um Novo Presente, Sem Trabalho Infantil.

 

Desde a segunda metade da década de 1990, o país mantém cerca de 97% das crianças e adolescentes de 7 a 14 anos na escola. Para o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, a campanha quer ir além e visa a melhoria da qualidade da educação e a adoção de ensino integral para que as crianças não trabalhem no contra-turno escolar.

 

"O acesso a uma educação integral e de qualidade é a resposta direta e adequada para encerrar esse ciclo perverso que afeta milhões de crianças e adolescentes brasileiros", diz a nota de divulgação da campanha.

 

Segundo a secretária-executiva do fórum, Isa Oliveira, a campanha é "para que os gestores públicos, as famílias e a sociedade entendam que a prioridade para essa faixa etária é a escola e de preferência a educação em tempo integral".

 

Há cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes menores de 15 anos trabalhando no Brasil. De acordo com o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, o número de menores trabalhando reduziu cerca de 50% entre 1992 e 2002, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começou a verificar o fenômeno. De lá para cá a redução "se deu de forma muito lenta e injustificável", aponta Isa Oliveira.

 

Baixa renda

 

A secretária-executiva do fórum chama atenção para as diversas formas de exploração no campo e na cidade, especialmente nas Regiões Sul e Nordeste. Segundo ela, além da situação socioeconômica, há uma explicação cultural para o uso da mão de obra infantil. "Justifica-se o trabalho infantil dizendo que é bom que a criança trabalhe logo para ela se tornar responsável."

 

Essa justificativa, no entanto, só é usada para as crianças e adolescentes das classes sociais de baixa renda. "Paradoxalmente os filhos dos ricos ingressam cada vez mais tarde no mercado do trabalho às vezes depois do mestrado e os filhos dos pobres cada vez mais cedo."

 

Isa Oliveira assinala que "o trabalho infantil reproduz pobreza e exclusão social".

 

O lançamento da campanha foi realizado na Câmara dos Deputados em Brasília. Segundo a secretária-executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, há projetos em tramitação no parlamento (em especial, a Proposta de Emenda à Constituição nº 191) que podem reduzir a idade de ingresso no mercado de trabalho. "Se o Congresso aprovar estará na contra-mão do movimento mundial em favor das crianças e dos adolescentes", alerta.

 

A campanha lançada hoje marca a passagem do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil e do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil (ambos em 12 de junho) e também dos dez anos que o Brasil adotou a Convenção nº 182 da OIT, sobre a proibição de trabalho infantil.

 

As informações são da Agência Brasil.

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