Fortuna de Renan é incompatível com renda, revela perícia

Laudo da PF que será entregue nesta terça também não prova que todo dinheiro pago a jornalista era dele

Vannildo Mendes, Rosa Costa e Evandro Fadel, do Estadão,

21 de agosto de 2007 | 15h09

O resultado da perícia nos documentos do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que a Polícia Federal entrega nesta terça-feira, 21, ao Conselho de Ética do Senado mostra que o senador tinha renda para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso - com quem tem uma filha fora do casamento - mas não prova que todo o dinheiro saiu do seu bolso. Laudo deve revelar ainda inconsistências na evolução patrimonial de Renan e fragilidade nas notas e recibos, muitos emitidos por empresas inidôneas.   Veja também:    Cronologia do caso Renan     Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação  Veja especial sobre o caso Renan  Para relator, novos extratos de Renan não mudam perícia Viana envia a Tarso Genro novos documentos de Renan   Os peritos do INC constataram ainda, na análise dos documentos, que a fortuna acumulada por Renan nos últimos anos não tem amparo nas suas rendas de parlamentar e pecuarista. A movimentação bancária dele no período de 2002 a 2006 está acima da renda declarada e o montante a descoberto não tem origem justificada. Os recibos e notas fiscais apresentados como defesa também não são suficientes para comprovar que Renan faturou R$ 1,9 milhão com a venda de gado no período.Renan responde a processo por quebra de decoro, sob a acusação de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Com a papelada, Renan buscou provar que faturou R$ 1,9 milhão em quatro anos com venda de gado e tinha renda para pagar a pensão, não precisando de ajuda de Gontijo. Se for condenado, Renan pode ser cassado e ter os direitos políticos suspensos.   Na tentativa de ampliar seu espaço de defesa, o conselho pediu à PF que adiasse a entrega do laudo e analisasse novo lote de documentos, enviado na última segunda-feira pela Secretaria da Fazenda de Alagoas. Mas o Instituto Nacional de Criminalística (INC), responsável pela perícia, recusou-se a retardar o trabalho, após dois meses de adiamentos, alguns atribuídos a aliados do senador. Ficou acertado que, se os documentos tiverem fatos novos, será feito um adendo ou uma revisão.A decisão, segundo o INC, visa a evitar maior desgaste tanto para a PF como para o Senado, sobre os quais pesam suspeitas de estarem cedendo a manobras para beneficiar o senador. O presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), informou que depois de receber o laudo dará cinco dias para Renan apresentar defesa. Em seguida, abrirá prazo para os relatores darem seu parecer. A previsão de Quintanilha é de que o processo possa ser julgado no fim de setembro. Se o conselho aprovar parecer pela cassação, ele seguirá para o plenário, onde precisará dos votos de 41 senadores, a maioria absoluta.Uma cópia do laudo será entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu inquérito sobre suspeitas de enriquecimento ilícito, uso de documentos falsos, prevaricação e crime financeiro. A perícia responderá a 30 quesitos formulados pelo conselho. Poucas são favoráveis ao senador, como o fato de que o preço do gado está dentro do valor de mercado e não há sinais de superfaturamento. Processos Renan afirmou na última segunda que está disposto a comparecer ao Conselho de Ética. "Eu sempre me coloquei à disposição para ir. Nunca tive dúvidas da verdade." Ele disse que não vai discutir "o que as pessoas acham" e insistiu em que é inocente de todas as acusações - além do caso do lobista, é suspeito de favorecer a cervejaria Schincariol em órgãos de fiscalização do governo e registrar em nome de laranjas duas emissoras de rádio."Vou aproveitar para demonstrar a verdade que carrego comigo e que é do tamanho da inocência que trago todo dia para este Senado." Renan disse que agora não tem mais pressa em se defender. "Só quero é que a verdade aflore, que o País fique absolutamente convencido de quem é que tem razão. Não há essa coisa de meia-verdade. Tem de ser a verdade inteira."Ele negou que o andamento dos processos contra ele tenham relação com a necessidade do governo de aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "Meu processo nada tem a ver com a CPMF, é uma decisão de meus pares. Eles vão decidir de acordo com suas consciências. Não vou cobrar apoio de ninguém, absolutamente de ninguém. Vou pedir que examinem fatos e provas e decidam com a consciência."Ao ser indagado se enviaria outros documentos ao conselho para se defender, Renan respondeu: "Mandarei quantos forem necessários. Quem não tem documento é que fala, fica no discurso. Nunca estive menos ou mais tranqüilo. Tenho convicção da minha inocência."

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