Fortes rebate crítica de Dulci e defende CPI das ONGs

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) criticou hoje as declarações do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, de que a CPI das ONGs foi instalada no Senado por "conservadores". "Conservadores, sim. Conservadores de cofres. São os que não querem os aloprados invadindo os cofres públicos. A CPI não é dirigida a ninguém, mas também não vai proteger ninguém. Essa é uma CPI para ajudar o País a sair desta imoralidade que é o financiamento com recursos públicos de atividades inconfessáveis", reagiu o senador do DEM, integrante e idealizador da CPI.Dulci, em pronunciamento ontem na 13ª Conferência Nacional da Saúde, atacou "setores da direita e conservadores, que conspiram através de um combate político contra a participação dos movimentos sociais na formulação de políticas públicas". Na reunião, o ministro condenou a tendência de criminalização a priori de entidades sociais, como ONGs, sem que elas recebam respeito."Nunca se deve deixar de levar em conta o papel do terceiro setor em todo o mundo na sua contribuição fundamental para a execução das políticas sociais", disse Dulci, para quem a sociedade tem que se envolver nas decisões de governo e na execução dessas políticas para que elas tenham sucesso.DisputaA instalação da CPI foi marcada por disputas acirradas no Senado, entre oposição e base aliada. A interpretação de senadores petistas é que a CPI foi concebida para atacar organizações simpáticas ao PT. "Mexemos no bicho, no vespeiro, com a CPI das ONGs", disse Heráclito, em discurso no Senado.Segundo o parlamentar do DEM, "há 76 conservadores no Senado da República". Esse foi o número de senadores, inclusive do PT, que subscreveram a criação da CPI. "ONG deve ser uma organização não-governamental. O que está ocorrendo no Brasil é uma distorção. Elas vivem única e exclusivamente nas tetas do Governo. Basta examinar o aumento das liberações em período eleitoral", emendou. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que também estranhou as declarações do ministro Dulci. "Eu acredito que essa CPI vem numa hora muito boa, porque vai fazer a separação do joio e do trigo".

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