Fortes nega pressão política por ilegalidades em obras no PAC

Ministro nega envolvimento com desvios de recursos do programa, descobertos pela operação João de Barro

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 17h30

O ministro das Cidades, Márcio Fortes, negou nesta quinta-feira, 26,  estar sendo pressionado por seu partido, o PP (Partido Progressista), pelo envolvimento de ex-assessores nos desvios de recursos de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) descobertos pela Polícia Federal na Operação João de Barro. "Por que pressão política? São os funcionários que estão sendo investigados e já foram devidamente exonerados", reagiu à pergunta de um jornalista sobre se estaria sofrendo pressão política do PP, na saída do almoço do presidente da República com os jogadores campeões mundiais de 1958, no Itamaraty.   Veja Também:   Autores de fraudes no PAC vão para o 'inferno', diz Bernardo   Fortes disse haver conversado sobre a Operação João de Barro com o líder do PP na Câmara, Mário Negromonte (BA), que, segundo ele, deverá divulgar comunicado de apoio a ele. " Conversei com o líder e ele deverá dar uma manifestação a esse respeito. Não há nenhuma manifestação contra o ministro. Eu não estou envolvido em nenhuma denúncia. A denúncia é em cima dos funcionários já devidamente identificados pela Polícia Federal", assinalou.   O ministro das Cidades reafirmou que os contratos investigados pela Polícia Federal foram firmados pela Caixa Econômica Federal e é a instituição que faz a fiscalização deles. "Os contratos são realizados pela Caixa e eu não tenho nenhum acompanhamento das licitações, sobre quem ganhou", insistiu, assinalando que, nos projetos do Ministério das Cidades, quem faz as licitações das obras é o Estado ou a prefeitura e não o governo federal.   Fortes negou veementemente qualquer participação na escolha da empresa Construssati Serviços e Construções em licitação de R$ 5,5 milhões do governo de Tocantins para construir 255 casas em Palmas. De acordo com denúncia publicada hoje pelo jornal Correio Braziliense, a empresa tem menos de 10 funcionários e pertence a André Scarassati, filho de José Alcino Scarassati, exonerado pelo ministro do cargo de coordenador político do Ministério das Cidades.   "A responsabilidade (pelo contrato com a Construssati) é da prefeitura e do governo do estado. É um problema local. São eles os responsáveis pela licitação, o governo federal não entra nessa parte. Afinal de contas, é montada uma parceria em que a responsabilidade do governo federal é selecionar o projeto e priorizar o recurso para pagamento assim que as obram andem. Não somos nós que fazemos o projeto e a licitação. Então, cada um tem a sua responsabilidade", declarou Fortes.

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