Força-tarefa vai reforçar vigilância das fronteiras

A força-tarefa criada peloMinistério da Justiça para enfrentar o crime organizado ligadoao roubo de cargas no País reuniu-se hoje, pela primeira vez, emSão Paulo. O objetivo do grupo é fortalecer a vigilância nasfronteiras com a Bolívia e o Paraguai, para impedir a saída decargas e carros roubados do País e a entrada de contrabando,armas e drogas. Participaram da reunião policiais civis e federais deMato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. A primeira etapa serádestinada ao levantamento das quadrilhas e dos receptadores.Serão estabelecidos convênios entre os três Estados. A reuniãoocorreu nas dependências da Polícia Federal, no centro de SãoPaulo. O próximo encontro será no dia 18, em Mato Grosso doSul. O superintendete da PF paulista, Ariovaldo dos Anjos,coordenou a reunião. "Com a assinatura de convênios, o trabalhoficará mais fácil. Todos estão motivados para impedir o avançodo crime organizado", acredita o superintendente. Além de dosAnjos, participaram da reunião os superintendentes da PF doParaná, Juliano Maciel; de Mato Grosso do Sul, Vantuir Jacini; osecretário-adjunto da Segurança Pública de São Paulo, MarceloMartins Oliveira; o delegado-geral paulista, Marco AntonioDesgualdo; o secretário de Justiça de Mato Grosso do Sul, AlmirPaixão e os comandantes da Polícia Rodoviária Federal de SãoPaulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.MaconhaNo ano passado, o crime organizado da cargadeu um prejuízo de R$ 215,3 milhões às transportadoras de SãoPaulo. O valor é maior que o de 2000, quando foram roubadasmercadorias avaliadas em R$ 195,4 milhões. Alimentos,combustíveis, cigarros e aparelhos eletrônicos foram as cargasescolhidas pelos ladrões, que atacaram depósitos,transportadoras, roubaram caminhões, seqüestraram motoristas emataram policiais. A força-tarefa pretende impedir a união dos criminososno País. "O Paraguai é o maior produtor de maconha do mundo eum dos maiores receptadores de cargas e carros da América doSul", disse o delegado da Polícia Federal Gilberto Tadeu Cezar,de São Paulo. A safra da maconha paraguaia é vendida ou trocadano Brasil por carga ou carros. A Bolívia é a segunda produtorade cocaína do mundo e também de pasta-base de coca, utilizadapara a confecção de pedras de crack. "A fronteira com os doispaíses tem sido utilizada pelo crime organizado. A força-tarefavai impedir o avanço dos criminosos", acredita Cezar.CarretaUma denúncia evitou que uma carreta com umacarga avaliada em R$ 500 mil fosse roubada. O motorista foiatacado na Avenida Francisco Morato, em Vila Sônia, zona oestede São Paulo, e obrigado a seguir para a Rodovia RégisBittencourt. A carga de eletroeletrônicos e celulares deveriaser entregue em Curitiba. Uma testemunha avisou a polícia. Omotorista foi libertado e a carreta e a carga, recuperadas.Clodoaldo Macedo, de 30 anos, foi preso. Em Indaiatuba, naregião de Campinas, um dispositivo instalado numa caminhoneteD-20, roubada hoje, possibilitou a localização do veículo. Oaparelho permite o rastreamento por satélite. O carro foi achadonuma chácara. Além do veículo, foram encontrados documentos,armas e a carga. O senador Romeu Tuma (PFL), presidente da CPI do Roubode Carga, informou que o relatório final deverá ser entregue atéo fim do mês. A CPI já mandou prender, em todo o País, 150pessoas. Tuma projeta para este ano prejuízo de R$ 1 bilhão comesse crime.

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