Raoni Magalhães
Raoni Magalhães

Força tarefa retira ocupantes da aldeia Tenharim em Humaitá

Cerca de 60 pessoas invadiram a reserva após o desaparecimento de três indivíduos em suposta vingança dos índios

José Maria Tomazela, enviado especial , Atualizada às 21h00

28 Dezembro 2013 | 20h15

HUMAITÁ (AM) - Uma força-tarefa da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, apoiada pela Força Nacional e por homens do Exército, retirou neste sábado, 28, cerca de 60 pessoas que montaram acampamento na Reserva Indígena Tenharim, em Humaitá, sul do Amazonas. Os ocupantes desmontaram o acampamento e parte deles se estabeleceu numa área fora da reserva. Homens do 54º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército em Humaitá instalaram uma base avançada no distrito de Santo Antonio do Matupi, uma das extremidades da reserva, e controlavam a passagem de pessoas e veículos.

Os bloqueios seguem pelos 150 km da rodovia entre o distrito e a cidade de Humaitá e Santo Antonio do Matupi. De acordo com o tenente coronel Antonio Prado, comandante do batalhão, o objetivo é dar apoio à investigação da PF. Na sexta-feira, 27, revoltados contra o desaparecimento de três pessoas da cidade, os moradores de Humaitá formaram comboios de carros e caminonhetes e atearam fogo nos postos de pedágio instalados pelos índios. Parte do grupo permaneceu acampada no km 150 da rodovia.

A PF dará prosseguimento neste domingo, 30, a uma varredura na área com o uso de helicópteros. De acordo com o delegado, a população não indígena encontrada na região será retirada, sob pena de prisão por desobediência.

"Estamos preparados para cumprir a lei que manda preservar o cenário de possíveis crimes", disse o delegado Alexandre Alves. Após a desocupação, serão iniciadas as buscas das supostas vítimas dos índios - três homens que desapareceram no início do mês e teriam sido seqüestrados e mortos pelos indígenas.

Vingança. O conflito entre índios e moradores começou no dia 16, quando três homens - o técnico da Eletrobrás Amazonas Aldeney Ribeiro Salvador, o professor Stef Pinheiro e o comerciante Luciano Ferreira Freire - desapareceram ao cruzar a reserva pela rodovia Transamazônica. A informação na cidade é de que teriam sido mortos pelos índios para vingar a morte do cacique Ivan Tenharim.

O cacique foi encontrado morto numa rodovia ao lado da moto e, segundo os índios, teria sido assassinado por pessoas descontentes com a cobrança de pedágios pelos índios de que passa pela reserva. A versão oficial é de que o cacique sofreu um acidente de moto. No dia 25, a população revoltada incendiou instalações da Funai, casas de índios e um barco usado para atender populações indígenas. Cerca de 140 índios que estavam na cidade se refugiaram o batalhão do Exército.

 

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