Rodrigo Félix
Rodrigo Félix

Força-tarefa no Rio negocia nova delação

Doleiro Vinicius Claret promete detalhar esquema de envio de dinheiro de propina para o exterior comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ)

Marina Sallowicz e Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2017 | 05h00

A força-tarefa da Lava Jato no Rio negocia, em estágio avançado, uma nova delação premiada que revelaria detalhes de supostos envios de propinas ao exterior para o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Segundo fontes próximas às investigações, o doleiro Vinicius Claret, conhecido como Juca Bala, está em tratativas para assinar o acordo de delação premiada.

A colaboração avança sobre repasses no exterior, que integrantes do Ministério Público Federal (MPF) acreditam que podem chegar a R$ 1 bilhão.

Em outra ponta, os procuradores têm progredido nas apurações sobre fraude em licitações no Estado do Rio que podem atingir o ex-secretário estadual da Saúde Sérgio Cortes. O MPF suspeita da existência de irregularidades e corrupção para a conquista de licitações na área da Saúde.

Cortes acompanhou Cabral na viagem a Paris, em 2009, que se tornou conhecida após a divulgação de fotos de parte da comitiva em uma festa portando guardanapos na cabeça. Além de Cortes e Cabral, o então secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, estava no grupo que acompanhava o então governador e virou alvo das investigações.

Esquema. Juca Bala, brasileiro que morava em Montevidéu, no Uruguai, teria começado a atuar para o esquema de Cabral quando os doleiros Renato e Marcelo Chebar – que já fecharam acordo de delação – passaram a ter dificuldades em tocar a operação do ex-governador. O motivo teria sido o aumento do volume de propina depois de 2007, quando Cabral assumiu o governo do Rio.

O doleiro residente no Uruguai teria maior porte e estrutura para as operações do que os Chebar. Ele tinha um escritório em Montevidéu e estrutura no Rio. Os irmãos doleiros já revelaram como a organização criminosa liderada por Cabral ocultou mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 340 milhões) com o envio de propinas para o exterior. 

Cabral foi preso em novembro na Operação Calicute, por suspeita de comandar uma organização criminosa e receber propina de empreiteiras. O peemedebista é réu em quatro ações penais: três no Rio e uma em Curitiba.

Corrida. Reservadamente, investigadores e advogados consideram que Cabral pode ficar para trás na “corrida” pelas delações no Rio. Isso porque Polícia Federal e Ministério Público já têm informações concretas sobre o esquema supostamente desenvolvido sob coordenação do ex-governador e contam com os acordos com antigos aliados e subordinados do peemedebista. 

O trunfo de Cabral seria entregar em um eventual acordo uma autoridade que estivesse num patamar político superior ao dele – o que, até agora, não entrou no horizonte da força-tarefa.

Defesas. Cortes negou irregularidades durante sua gestão. Procurado na noite de ontem, Fichtner não se posicionou até as 21 horas desta sexta-feira, 17. Os advogados de Cabral não responderam aos contatos da reportagem.

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