Força-tarefa no PA desocupará terras

Preocupação do governo é evitar reedição de episódios como o de Eldorado dos Carajás

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2009 | 00h00

O governo do Pará decidiu criar uma força-tarefa para cumprir as ordens de reintegração de posse que estão pendentes naquele Estado - e que vem provocando críticas de entidades ruralistas, de juristas e autoridades judiciais. O grupo, que inclui policiais militares, bombeiros, assistentes sociais e agentes de saúde pública, começou a atuar nesta semana no município de Castanhal, na região nordeste do Estado, a 72 quilômetros de Belém.A maior preocupação dos responsáveis pela operação é evitar qualquer violência. A governadora Ana Júlia Carepa (PT), assim como o seu antecessor, Simão Jatene (PSDB), vive sob o signo do medo do que ocorreu em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado, em abril de 1996, quando 19 trabalhadores rurais morreram durante confronto com a PM.A operação é comandada diretamente pelo secretário de Segurança Pública do Pará, Geraldo Araújo, ex-superintendente da Polícia Federal em São Paulo. Ontem, ao dar entrevista ao Estado, por telefone, a primeira preocupação dele foi informar que os trabalhos correm pacificamente.Semanas atrás, ao ser divulgada a informação de que existem 111 ordens judiciais de reintegração de posse paralisadas no Pará, o secretária havia retrucado que não podia executá-las por falta de recursos. Ontem informou que retirou recursos de outras áreas da secretaria para colocar a operação em andamento. Sua continuidade, porém, dependerá da obtenção de mais recursos para sua pasta."O atual governo, ao tomar posse, dois anos atrás, recebeu uma herança de 173 ordens de reintegração, urbanas e rurais", afirmou. "Desse total, já cobrimos 40 e estamos trabalhando para cobrir outras."Ainda segundo o secretário, é difícil estabelecer o número exato de ordens de reintegração. "Muitas são decisões liminares, que acabam caindo depois. No município de Castanhal, por onde começamos, falavam em 76 ordens. Mas verificamos depois que eram 34."A primeira reintegração foi a da Fazenda Itaqui, ocupada por militantes de várias organizações de sem-terra. Com essa ação, a governadora procura afastar as ameaças de pedidos de intervenção federal no Estado, pela falta de cumprimento de ordens judiciais.

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