Força Sindical e CUT disputam atenções no 1º de Maio

As duas maiores centrais sindicais do País - Força Sindical e Central Única dos Trabalhadores (CUT) - disputam, nesta quarta-feira, a atenção do público nas comemorações do 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalho. Enquanto a Força promove, a partir das 8h, um mega-show com sorteio de apartamentos e carros, na Praça Campos de Bagatelle, em Santana, Zona Norte de São Paulo, a CUT optou por fazer shows espalhados pela cidade e em outras capitais.A estratégia da Força Sindical é criticada pelo dirigente da CUT, João Felício. "Não faremos sorteio de carros e apartamentos comprados com dinheiro de empresários, porque quem faz isso aceita flexibilizar direitos. É a velha história do toma-lá-dá-cá", acusa. "Estamos levando o máximo de política para nosso evento, com os vídeos dos candidatos à presidência que serão exibidos", rebate Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força. "Se querem mais política do que isso, não sei onde posso arrumar mais", ironiza. A Força exibirá vídeos dos candidatos à presidência Ciro Gomes (PPS), Anthony Garotinho (PSB), José Serra (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que participaram ontem de um encontro promovido pela central. Cada um teve três minutos para falar no vídeo sobre o assunto que definiu com seus assessores.A Força Sindical investiu R$ 2,5 milhões no show que será apresentado amanhã. O dinheiro, segundo a entidade, veio da venda de cotas de patrocínio para empresas privadas e para sindicatos filiados. Nenhum artista, de acordo com a organização sindical, cobrou cachê para participar do evento. A Força pedirá, em seu dia de comemoração, por um Brasil mais justo, por mais emprego e melhores salários. "Vamos discutir emprego, crescimento econômico, salário, todas essas questões ligadas ao movimento sindical e aos trabalhadores", disse Paulinho.A entidade espera um público de mais de 1,5 milhão de pessoas, mesmo número de pessoas registrado pela Polícia Militar no show do ano passado. Serão instalados 10 telões para todos acompanharem o evento. Três mil policiais militares e bombeiros e 2 mil seguranças particulares, além de unidades médicas para atender emergências, estarão disponíveis. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) colocará 70 funcionários para orientar o trânsito na região, e interditará a Avenida Santos Dummont nos dois sentidos.Alguns artistas mais conhecidos se apresentam na parte da manhã, como Falcão, Fat Family, Gian e Giovanni, Rodrigo Faro, Orlando Moraes e Sensação. Às 10h será a vez do ato cívico sindical, apresentado pelo secretário geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna. Presidentes e representantes de diversos sindicatos falarão ao público em seguida.Os shows recomeçam às 11h, com a apresentação do cantor Leonardo, seguido por Pedro e Thiago e Wanessa Camargo. Pela ordem virão o grupo KLB, Pixote Alexandre Pires, Cliclete com Banana, Marlon e Maicon, Ivete Sangalo, Chrystian e Ralf, Vinny, Gil, ex-vocal da Banda Beijo, Harmonia do Samba, Twister, Mário Velloso, Adryana e a Rapaziada, Titãs, Maurício Manieri, Araketu e Os Travessos. O último show será de Bruno e Marrone, com o sorteio do último eletrodoméstico e apartamento encerrando o evento.Nos intervalos serão feitos os sorteios de 10 carros zero quilômetro, cinco apartamentos e eletrodomésticos. Haverá também uma manifestação pela paz, comandada pelo Padre Zezinho, e um ato ecumênico com o cardeal Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo. Além do show e dos sorteios, haverá o espaço Estações Cidadania. Tendas montadas oferecerão serviços e orientações para a população em áreas diversas, como saúde, documentação, segurança, meio ambiente, entre outras, tudo gratuitamente.CUT descentraliza comemoraçõesA CUT este ano resolveu inovar e vai descentralizar as comemorações do 1º de Maio. "Vamos na direção das comunidades mais carentes da Grande São Paulo. Não adianta a gente fazer discurso de nós para nós mesmos", explica João Felício, presidente da entidade. Serão 26 grandes atos em todo o País. Dez atos-shows acontecerão na Região Metropolitana de São Paulo, sendo sete na Capital e três na Grande São Paulo. O candidato do PT à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, estará presente nos atos de Itaquera, Campo Limpo e de Santo André.A CUT calcula que os gastos as comemorações na Grande São Paulo não chegaram a R$ 400 mil. Haverá protestos contra a falta de emprego e os salários baixos. "Isso não significa que não gostamos de atividades culturais, teremos música sim, mas não vamos transformar o 1º de Maio em um grande bingo"."Queremos estabelecer um diálogo com quem está marginalizado, com os descontentes com o salário, com a falta de emprego", diz. A maior preocupação da CUT é a lei de flexibilização dos direitos trabalhistas, que alteraria o artigo 618 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O tema será tratado no Manifesto 1º de Maio de 2002 a ser distribuído nos atos. A CUT também irá questionar os baixos salários e o modelo econômico vigente, pedir a participação dos trabalhadores nas discussões sobre a adesão do Brasil a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e falar sobre a ausência de investimentos na área social.O ato da CUT no bairro Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte, começa às 11 horas, com apresentação de Leci Brandão e Rappin´hood. Na Zona Sul, os atos serão no Grajaú, com show de Francis Lopes, às 13 horas, no Campo Limpo, com o Trio Virgulino, às 10 horas, e em Cidade Ademar, com o Grupo Ira!, às 13 horas. Na Zona Leste, haverá show do Art Popular em Sapopemba, às 13 horas, em Itaquera, com Soweto e Eliane de Lima, às 8 horas e em São Miguel, com apresentação de diversas bandas a partir das 13 horas.Na Grande São Paulo, haverá ato em Osasco, com show de Supla e do grupo Sem Compromisso às 13 horas, em Santo André, com Martinho da Vila, Premê e Ultraje a Rigor, às 11 horas, e em Guarulhos, com o conjunto Fundo de Quintal, às 10 horas. "Faremos atos em todas as capitais do Brasil e em centenas de cidades do País . Onde tem filiados nossos, haverá ato", contou João Felício.

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