Força Nacional permanecerá 24h por dia em Sidrolândia

O efetivo de 110 homens da Força Nacional permanecerá 24 horas por dia nas áreas de acesso às fazendas e aldeias da região de Sidrolândia (MS), onde o indígena Oziel Gabriel morreu em conflito com as Polícias Militar (PM) e Federal (PF) no dia 30. Portaria do Ministério da Justiça determinou a permanência, inicialmente, por 30 dias, o que pode ser prorrogado. As tropas chegaram na quarta-feira, 5, no mesmo dia em que o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, visitou Mato Grosso do Sul e sobrevoou a área das fazendas invadidas pelos terenas. De lá para cá, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) fez o planejamento da ação na área.

LUCIA MOREL, ESPECIAL PARA A AE, Agência Estado

07 Junho 2013 | 18h37

Ficou definido que o patrulhamento na região será feito por 24 horas e envolverá revistas e abordagens, quando necessário. O efetivo não pretende fazer a reintegração de posse das áreas, mas assegurar a pacificação. Os índios permitiram a manutenção das tropas após reunião realizada nesta quinta-feira, 6.

Otoniel Terena, de 32 anos, irmão de Gabriel, afirmou acreditar que a presença dos homens da segurança nacional é necessária. "A gente estava sofrendo ameaça de pistoleiros, não tinha segurança nenhuma. Agora, acho que vai melhorar." No entanto, Terena disse que os indígenas estão "dando um voto de confiança" porque, de acordo com ele, a atuação da polícia no dia do confronto em que o irmão acabou morto foi "uma atrocidade". "Eles falaram que o objetivo deles aqui é diferente da Polícia Militar e da Federal", disse.

Segundo o produtor rural Vanth Vanni, dono da Fazenda Cambará, a Força Nacional ajudará. "Eles falaram que vão ficar aqui 24 horas por dia. Acho que não vou precisar tirar todo meu gado porque eles garantiram que vão cuidar", afirmou. Quanto à saúde do primo de Terena e de Oziel Gabriel, Josiel Gabriel, que está internado na Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande depois de ter sido baleado na terça-feira, 4, o hospital afirmou que, "com ou sem cirurgia", ele terá sequelas neurológicas e deverá ficar paraplégico. Não há risco de morte.

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