Força acusa CUT de politizar discussão da CLT

O posicionamento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), contrário à aprovação da flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), decorre de um interesse político visando as eleições que se realizam neste ano.A acusação partiu nesta segunda-feira à tarde do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que participa de encontro na Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para defender a mudança na legislação."É muita política e muita conversa por trás dessa posição da CUT contra a flexibilização da CLT. Eu não sei se ser contra garante mais ou menos voto na eleição que se aproxima. Mas eles sabem disso e, por isso, adotam essa posição", afirmou Paulinho em entrevista coletiva.Ele rechaçou as acusações da CUT de que a Força tem relacionamento próximo com os empresários e, por isso, estaria disposta a reduzir os direitos dos trabalhadores previstos na CLT."Existem dois tipos de sindicalismo: o nosso, e o da CUT, que é de fazer bagunça, quebra-quebra e paralisar a Paulista. Deste tipo de sindicalismo eu só quero distância. Não temos vergonha de dizer que mantemos parcerias com governo e empresários para favorecer os trabalhadores", contrapôs."Dizer que a Força é ligada ao governo ou a empresários é uma bobagem, porque nós temos em nossos quadros pessoas que são filiadas desde o PT até o PPB e, nessa eleição, a maioria da nossa diretoria apoiará os candidatos de oposição. Eu, particularmente, darei todo o meu apoio ao Ciro Gomes", complementou, referindo-se ao candidato à presidência da República do PPS.Segundo o sindicalista, a Força Sindical defende apenas a mudança do artigo 618 da CLT, que, por sua vez, respeitará todos os direitos dos trabalhadores garantidos no artigo 7º da Constituição. "O que vai mudar é a forma de conceder esses direitos. Não será permitido a nenhum sindicato revogar qualquer direito. Será o caso por exemplo, de um trabalhador que, ao tirar férias, deixará de ter as atuais opções previstas na CLT, para ter outras cinco ou seis opções diferentes", argumentou.O sindicalista garantiu, ainda, que, independentemente da posição fechada pelo sindicato em assembléia geral, o trabalhador terá o direito de optar por uma fórmula de sua preferência. "Não acredito que haverá imposições ou chantagens dos patrões sobre os empregados. Se isso acontecer, o trabalhador vai para a Justiça e processa o empregador, como já acontece atualmente", opinou Paulinho.Para ele, no entanto, a adoção da flexibilização da CLT reduzirá "drasticamente" as ações movidas na Justiça motivadas pela disputa entre capital e trabalho. "É por isso que há tantas brigas de corporações contra a mudança da CLT", afirmou, referindo-se ao posicionamento da CUT e das Associações dos Advogados Trabalhistas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.