Foragido, Lins tenta no TJ recuperar foro especial

Considerado foragido desde sexta-feira, o deputado cassado Álvaro Lins (PMDB) - que não se apresentou à Justiça até o fim da tarde de ontem - aguarda eventual decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) para recuperar o foro privilegiado, perdido há uma semana. O advogado Ubiratan Guedes disse ontem que impetrou mandado de segurança tentando anular a decisão do plenário da Assembléia que cassou, há uma semana, por 36 votos a 24, o mandato de Lins. Sua prisão preventiva foi decretada dois dias depois pela Justiça Federal."O caminho mais rápido e mais justo é ele voltar a ser parlamentar", disse Guedes. "Ele teve 108 mil votos, não são 36 que vão cassar. Nem tudo que é legal é justo." Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do TJ informou que até as 18h30 nenhum pedido em nome de Lins havia sido distribuído para o Órgão Especial.Apesar de Guedes afirmar que Lins está internado em uma clínica, com quadro de depressão, a Polícia Federal trabalha com a hipótese de ele estar em um sítio ou fazenda no interior do Estado, ou em área rural da zona oeste da capital.Se confirmado o ingresso do mandado de segurança, o Órgão Especial deverá sortear um relator. Ele poderá eventualmente decidir sozinho se concede ou não uma liminar, ou levar a plenário e submeter a decisão aos 25 desembargadores - os mais antigos -, que depois analisariam o mérito da questão. O advogado se disse confiante: "Acredito que amanhã (hoje) teremos uma liminar." Para ele, a cassação foi um "ato totalmente nulo", por causa de ilegalidades, que não quis detalhar. Para o corregedor da Assembléia, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), o caso Lins é "assunto encerrado".Sobre a depressão do cliente, Guedes declarou: "É real, ele está deprimido. Uma pessoa numa situação dessa não vai estar feliz." O advogado afirmou que não sabe onde Lins está e frisou que os contatos são feitos por meio de parentes. "A internação foi uma decisão da família. Não posso mandar uma pessoa doente apresentar-se." Para Guedes, o fato de Lins ser considerado foragido "é subjetivo". "Ele não é bandido. Tem uma vida pregressa ilibada." O advogado disse que a PF "é soberana, o maior poder do País no momento" e acrescentou que há sensacionalismo em relação ao caso. "A PF apura, o Ministério Público denuncia e a Justiça dá o direto do acusado de se defender. Agora vamos ver as provas."

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