Foragido, homem de confiança de Dantas é preso pela PF

Humberto Braz foi preso no domingo; ele é acusado na operação Satiagraha de tentar subornar PF com R$1 mi

Andréia Sadi, do estadao.com.br

14 de julho de 2008 | 15h57

O ex-diretor da Brasil Telecom Humberto Braz - apontado como homem de confiança do banqueiro Daniel Dantas- foi preso pela Polícia Federal de São Paulo no último domingo. Ele estava foragido desde o começo da operação Satiagraha, que prendeu Dantas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Segundo a PF, ele já foi transferido e está no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.   Braz é o homem que, segundo as investigações do caso, tentou subornar a PF com US$ 1 milhão para que a Operação Satiagraha fosse arquivada.   Veja também: Daniel Dantas espionou juízes paulistas, afirma PF Após habeas-corpus, Daniel Dantas deixa prisão em São Paulo Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas  Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas        A PF não soube informar ao estadao.com.br se Braz se entregou ou se foi encontrado pelos agentes da PF.   Junto com Braz,  Hugo Chicaroni  aproximou-se do delegado Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, da equipe do delegado responsável pelo caso, Protógenes Queiroz, e pediram a ele que revelasse nomes que estavam sob vigilância. O juiz Fausto De Sanctis autorizou a PF a fazer ação controlada, com escuta telefônica e ambiental - os contatos tiveram seqüência sem que Chicaroni e Braz fossem autuados em flagrante por corrupção ativa. Os dois tiveram prisão preventiva decretada, mas Braz estava foragido. Durante as "negociações", os enviados do banqueiro chegaram a dar R$ 129 mil ao delegado. Os encontros ocorreram no restaurante El Tranvia, na Rua Conselheiro Brotero, 903. Eles disseram ao delegado que a preocupação de Dantas seria apenas com a primeira instância judicial, uma vez que no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal "ele resolveria tudo com facilidade". O juiz De Sanctis definiu o suborno como "método espúrio, numa clara afronta ao Judiciário".   Em pelo menos dois contatos, esse grupo ofertou ao delegado da PF, a título de demonstração de boa-fé, R$ 50 mil em um primeiro momento, e R$ 79 mil, aproximadamente, num segundo momento", destacou o procurador da República Rodrigo de Grandis. "A promessa de propina ao delegado, a audácia do grupo criminoso, que não respeita as instituições brasileiras, foi de US$ 1 milhão." A primeira gratificação ocorreu no prédio onde reside Hugo Chicaroni, em Moema. O delegado o acompanhava. Hugo subiu ao apartamento e retornou à portaria com uma bolsa preta com 10 pacotes, cada qual com R$ 5 mil. Foi no dia 19 de junho. Hugo iria confirmar nova reunião com o objetivo de pagamento de propina de cerca de US$ 500 mil.   Operação Satiagraha   Dantas seria o líder de uma das duas organizações investigadas pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, especializada no desvio de verbas públicas e que teria criado o Opportunity Fund, uma offshore localizada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. De acordo com o procurador do Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, Rodrigo de Grandis, esse fundo movimentou quase US$ 2 bilhões entre 1992 e 2004.   A operação mobilizou 300 agentes federais e foi desencadeada às 5h30 em São Paulo, Rio, Bahia e no Distrito Federal para o cumprimento de 24 ordens de prisão e 56 mandados de busca e apreensão. O esquema teria movimentado US$ 1,9 bilhão ilicitamente.   Junto com Dantas, foram presos na terça o megainvestidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, e mais 14 pessoas. "A organização tinha como líder e cabeça um famoso banqueiro, Dantas. Identificamos outra organização, comandada por Nahas, voltada ao mercado de capitais e tendo como alvos principais o desvio de recursos públicos e riquezas do País. Uma situação muito perniciosa para o País, que nos deixa assustados com o nível de intimidação e poder de corromper."     (Com Fausto Macedo e Rodrigo Pereira, de O Estado de S.Paulo)

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