‘Fora Dilma’ é para inviabilizar Lula, diz ex-presidente do PSB

Roberto Amaral considera ‘destruição do PT’ como estratégia de quem quer barrar nova candidatura de ex-presidente em 2018

Iuri Pitta, O Estado de S. Paulo

18 Abril 2015 | 16h13

O grito é “Fora Dilma”, mas a consequência final das mobilizações contra o governo seria a inviabilização de uma candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 2018, na avaliação do ex-ministro e ex-presidente do PSB Roberto Amaral.

“É uma tolice discutir se era elite branca ou só elite. Existe descontentamento, e a utilização desse descontentamento tem um fim, que é impedir uma eventual candidatura do Lula em 2018”, avalia Amaral. “Para atingir o Lula, é fundamental destruir o PT. O problema grave, do meu ponto de vista, é que a destruição do PT está levando consigo a destruição de forças progressistas e do campo da esquerda, que estão sendo envolvidas no mesmo balaio.”

Interlocutor de Lula e dissidente no PSB desde o apoio da sigla ao tucano Aécio Neves no 2.º turno de 2014, Amaral começou em novembro na articulação do que chama de frente nacional popular, e não de partidos. O envolvimento das legendas seria um contrassenso, dado que, para ele, o País vive uma crise de representatividade e, “fundamentalmente, uma crise da política”.

A iniciativa reúne intelectuais, movimentos sociais, políticos com ou sem mandato e empresários para enfrentar a “falência da reflexão da esquerda”. “A esquerda deixou de refletir, de ter estratégia, de ter projeto. Eu não sei hoje qual o projeto da esquerda brasileira”, diz Amaral. Para ele, são quatro os pilares que devem ser defendidos: a democracia, a soberania do País, os direitos trabalhistas e a redução das desigualdades em geral.

Ainda que, segundo Amaral, essa frente popular não se paute pelo calendário eleitoral de 2016 ou de 2018, a iniciativa ganhou ares de urgência diante do atual momento de mobilização de setores liberais e dos riscos oferecidos pelo enfraquecimento do governo Dilma Rousseff. “O mais grave é o fato de vermos o Congresso desmontando uma a uma as conquistas sociais que obtivemos (desde 2003) e impondo uma pauta conservadora, tanto do ponto de vista econômico como dos valores sociais.”

Exemplo interno. Retrato dessa conjuntura, na avaliação de Amaral, é seu próprio partido. Para ele, é “inconcebível” o apoio de parlamentares do PSB ao projeto que regulariza a terceirização da mão de obra, ao mesmo tempo em que setores no partido querem se reaproximar do governo - o partido rompeu com Dilma em 2013 para lançar a candidatura de Eduardo Campos ao Planalto.

“A discussão não é se aproximar ou não do PT, isso é muito pouco. O problema é se aproximar cada vez mais das forças conservadoras”, diz. “Ainda que o partido sobreviva materialmente, ele rasgou seu programa, negando suas origens e a justificativa de sua existência. O PSB resolveu mudar para poder ganhar, e não ganhar para poder mudar.”



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