Leonardo Prado/PGR
Leonardo Prado/PGR

Fora da agenda, Bolsonaro se convida para ir à PGR encontrar Augusto Aras

Presidente acompanhava posse de um subprocurador via videoconferência quando, ao fim da cerimônia, diz que queria ir pessoalmente à sede da PGR, encontrando-se também com o procurador-geral Augusto Aras, responsável por investigá-lo

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2020 | 11h38

BRASÍLIA - Alvo de um inquérito que apura suspeita de interferência na Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro fez uma visita inesperada na manhã desta segunda-feira, 25, à Procuradoria-Geral da República.  Caberá ao chefe do órgão, Augusto Aras, decidir se apresenta denúncia contra o presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro dos dois ocorreu logo após a posse do subprocurador Carlos Alberto Vilhena no cargo de Procurador Federal dos Direitos do Cidadão.

Bolsonaro acompanhava a solenidade do Palácio do Planalto, via videoconferência. Ao fim da cerimônia, o procurador-geral Augusto Aras o questionou se gostaria de falar algo. O presidente, então, "se convida" para ir pessoalmente à sede da PGR "apertar a mão" do novo subprocurador. 

"Se me permite a ousadia, se me convidar, eu vou agora aí apertar a mão do nosso novo colegiado maravilhoso da Procuradoria-Geral da República", disse Bolsonaro. Aras concorda de imediato. "Estaremos esperando Vossa Excelência com a alegria de sempre." Ao chegar ao local, Bolsonaro tirou fotos e cumprimentou os presentes, incluindo Aras. A visita durou cerca de 15 minutos.

Caos

Pouco antes de Bolsonaro anunciar a visita, Aras discursou na solenidade em defesa da independência do Ministério Público Federal, mas em "hamonia" com os outros poderes para se evitar o "caos". "Independência, mas acima de tudo harmonia, para que a independência não se transforme no caos. Porque é a harmonia que mantém o tecido social forte, unido, em torno dos valores supremos da nação", afirmou o PGR. O discurso de defesa da "harmonia" e "respeito" entre os Poderes também tem sido adotado por integrantes do governo ao criticar decisões recentes do Supremo que afetam o Executivo.

O inquérito sob os cuidados da PGR apura as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de que o presidente interferiu indevidamente na PF para proteger aliados. Na sexta-feira, 22,  imagens da reunião ministerial ocorrida em 23 de abril mostra o presidente cobrando mudanças no comando da "segurança no Rio" que, segundo o ex-ministro, comprovam a tentativa de interferência. 

Na versão do Palácio do Planalto, porém, o presidente falava da segurança de sua família, que é atribuição do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), chefiado pelo general Augusto Heleno. As imagens, porém, mostram Bolsonaro olhando para Moro durante as cobranças. 

Reportagem do Jornal Nacional, veiculada na semana passada, mostrou que o presidente fez alterações – e até promoveu servidores – em sua segurança pessoal semanas antes da reunião sem dificuldade.

Aras foi escolhido por Bolsonaro para comandar a PGR no ano passado sem passar pelo crivo da categoria. Uma lista tríplice eleita pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) chegou a ser apresentada ao presidente, que a ignorou, indicando para o cargo um nome fora da relação. 

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