Foneticista reassume cargo na Unicamp

O foneticista Ricardo Molina de Figueiredo deve reassumir hoje seu cargo na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), depois de ter sido demitido por justa causa no dia 22 de fevereiro. Molina será reconduzido ao Laboratório de Fonética Forense da universidade por meio de uma liminar expedida pelo juiz Ricardo Fiore, da 10ª Vara Cível, no final da tarde de terça-feira. Ele apenas aguarda que a Unicamp seja notificada pela Justiça sobre a liminar para voltar a exercer sua função.Molina foi exonerado do cargo de coordenador do Laboratório de Fonética Forense da Unicamp por irregularidades administrativas. Ele é acusado de utilizar verbas da universidade para patrocinar viagens de férias suas e de parentes, inclusive ao exterior. Também é acusado de assinar seu próprio atestado de freqüência quando estava ausente do trabalho em viagens internacionais. As irregularidades foram apontadas em uma sindicância e encaminhadas à Comissão de Processamento Permanente (CPP) da Unicamp, que pediu seu afastamento, acatado pelo reitor Hermano Tavares.Até a tarde de ontem, a universidade não tinha sido notificada da decisão do juiz. De acordo com a assessoria de imprensa, a liminar deverá ser cumprida e, a partir dos argumentos de Fiore, a Unicamp estudará que medidas tomar. "Será uma longa batalha judicial", apostou o foneticista. Ele atribuiu sua demissão a divergências políticas e negou as irregularidades.EquipeMolina disse que sua primeira atitude ao reassumir o cargo será reinstalar o Laboratório de Fonética, totalmente desmontado após sua demissão. A equipe de quatro pessoas que trabalhava com ele foi remanejada. "Mexeram em tudo, até em objetos pessoais", alegou. Ele acrescentou que a Unicamp pretendia desativar o laboratório porque não se interessa em "prestar serviços à sociedade". "A Unicamp quer se fechar nela mesma, no seu academicismo, e quer deixar a sociedade do lado de fora, como num campo de concentração. Só falta colocar os muros", acrescentou.O Laboratório de Fonética foi instalado há dez anos na universidade, dentro da faculdade de Medicina. Entre outras atividades, atuou nas investigações da Chacina de Vigário Geral, da Favela Naval e da morte de Paulo Cesar Farias, o PC. Recentemente, quando estava afastado da Unicamp, Molina analisou as gravações de declarações do senador Antonio Carlos Magalhães à Procuradoria Geral da República. De acordo com a assessoria de imprensa da Unicamp ainda não há definição sobre o futuro do Laboratório de Fonética na universidade.

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