'Fome não pode esperar', diz ministro sobre o Bolsa-Família

Lula reajustou, em ano eleitoral, o benefício do programa em 8%, valor acima da inflação e do pedido por Patrus

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2008 | 15h38

O ministro do Desenvolvimento social e Combate a Fome, Patrus Ananias, anunciou nesta quarta-feira, 25,  que será mesmo de 8% o o reajuste no valor dos benefícios concedidos às pessoas de baixa renda incluídas no programa Bolsa-Família. Segundo ele, o valor médio do benefício passa de R$ 78,70 para R$ 80,00, o mínimo de R$ 18,00 para R$ 20,00 e o máximo de R$ 172,00 para R$ 180,00. O ministro não soube precisar o impacto deste reajuste no Orçamento e reagiu a críticas da oposição de que a medida seria eleitoreira. "A fome não pode esperar; a desnutrição não pode esperar", afirmou.   Veja Também:   Veja os principais programas sociais do governo Lula   Patrus Ananias disse que Lula tomou a decisão sobre o reajuste ontem a noite após ouvir a equipe econômica e a Casa Civil, na reunião da junta orçamentária. Na sua avaliação, este reajuste não irá interferir na estabilidade e nem no combate à inflação. "A inflação é que é perversa e haverá equilíbrio entre o controle à inflação e a garantia do acesso aos pobres aos alimentos", afirmou.   O ministro informou ainda que os recursos para o bolsa família passarão de R$ 10,5 bilhões para R$ 10,9 bilhões   "Foi um reajuste de muito bom tamanho. Responde a uma situação concreta pois houve aumento dos preços dos alimentos e este reajuste assegura o direito à alimentação das famílias mais pobres", definiu Patrus.   O que é Bolsa-Família     Criado em 2004, a partir da reforma e fusão de programas de transferência de renda já existentes, o Bolsa-Família beneficia famílias em situação de pobreza - com renda mensal por pessoa de R$ 60 a R$ 120 - e extrema pobreza - com renda mensal por pessoa de até R$ 60. Para permanecerem no programa, as famílias precisam cumprir determinadas condições, como a permanência das crianças de até 15 anos na escola, com freqüência mínima de 85%; e a atualização das carteiras de vacinação.   Atualmente são atendidas 11 milhões de famílias (45 milhões de pessoas). Os benefícios variam de 18 a 172 reais por mês que são pagos a famílias com renda per capita de até 120 reais.   Uma das principais críticas que se faz a essa iniciativa é que abre portas de entrada para as famílias, mas não oferece portas de saída. Sem elas, o que deveria ser um programa emergencial, para ajudar os beneficiários a superarem situações de pobreza e miséria, tende a tornar-se permanente.

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