Gilberto Amendola/Estadão
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'Foi covardia depois de tudo o que fizemos', diz Joesley sobre Janot

Dono da JBS depõe em inquérito que apura se a JBS fez uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro; Joesley Batista e outros executivos da empresa tiveram acordo de delação com a PGR anulado na quinta-feira, 14

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2017 | 17h24

O empresário Joesley Batista, dono da JBS, criticou nesta sexta-feira, 15, o que ele chamou de "covardia" do procurador-geral da República, Rodrigo Janto, "depois de tudo que fizeram". Na quinta-feira, quando apresentou a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, Janot também notificou o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, que estava rescindindo o contrato de delação premiada com os executivos da JBS.

“Foi covardia (do procurador-geral da República, Rodrigo Janot) depois de tudo o que fizemos”, disse Joesley, em depoimento à Justiça Federal. A prisão preventiva de Joesley Batista foi mantida pelo juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Criminal Federal. Ele permanecerá na carceragem  da Polícia Federal em São Paulo.

“Estou pagando por ter deletado o poder”, afirmou o dono da empresa. A audiência ainda está acontecendo e é aberta para profissionais de imprensa. 

A procuradora da República Thamea Damelon pediu para que a prisão fosse mantida porque Joesley solto representaria um risco para a investigação. Ela se referiu ao acusado de "criminoso contumaz" . O advogado de Joesley vai e recorrer, ainda hoje, junto ao Rio de Janeiro.

O advogado Pierpaolo Bottini pediu a revogação da prisão preventiva de Joesley, alegando ser o seu cliente o unico detido pela prática de insider trading no País. 

Desde domingo, 10, Joesley e Ricardo Saud, também colaborador, estão presos em Brasília - nesta sexta, Joesley deve passar a noite na sede da Polícia Federal em São Paulo. Eles entraram com pedido de habeas corpus nesta sexta, mas não foi aceito. Ao comunicar a rescisão das colaborações, Janot também converteu a prisão temporária, cujo prazo encerrava ontem, para prisão preventiva, que não tem período máximo.

Apesar da fala de Joesley, a audiência era exclusivamente para tratar da acusão de insider trading  (benefícios no mercado financeiro por meio de informações premiadas). O empresário afirmou que a venda de ações foi única e exclusivamente realizada por "necessidade de caixa" e consequência da interrupção "da linha de crédito dos bancos".

A Procuradoria-Geral conseguiu resgatar áudios deletados de Saud e Joesley que indicam jogo-duplo do ex-procurador Marcello Miller. Por entender que eles omitiram fatos, os delatores, que conseguiram imunidade total após apresentarem à PGR gravações incriminando Temer e outros políticos do alto escalão, perderam os benefícios do acordo.

Os depoimentos desta sexta são no âmbito do inquérito que investiga se a JBS fez uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro. O executivo negou as acusações. "As vendas das ações foram por um único e exclusivo motivo de necessidade de caixa", diz Joesley Batista. “As ações são nossos ativos líquidos . Os bancos restringiram crédito para nós. Com a situação dos bancos, que não renovaram suas linhas de crédito, as vendas da ação não têm nada a ver com insider”, completou.

 

 

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