Fogo amigo obriga PV a blindar Marina

Plano é adiar para o fim do ano discussão sobre candidatura

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 00h00

O aparecimento de fogo amigo no próprio PV engrossou o coro dentro do partido a favor da blindagem da senadora Marina Silva (AC), que prepara sua filiação à sigla para concorrer ao Palácio do Planalto em 2010. A ideia é formalizar a entrada da ex-ministra do Meio Ambiente no partido em 30 de agosto e deixar para o fim do ano a discussão sobre a candidatura à Presidência, de modo a evitar que ela se torne alvo de adversários e do próprio partido.Marina anunciou anteontem a sua saída do PT, em um primeiro passo rumo à candidatura ao Planalto. No mesmo dia, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que também é do PV, criticou o pré-lançamento da candidatura da senadora, ao dizer que o partido não estava preparado para uma campanha presidencial. Com cargo no governo, Ferreira defende o apoio à campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).Além dos ataques no PV, a ideia é evitar também que integrantes do PT, temendo o impacto da candidatura Marina na campanha de Dilma, comecem a abrir fogo contra a senadora. "Ninguém lança uma candidatura precocemente", afirmou o líder da bancada do PV na Câmara, Sarney Filho (MA). "A candidatura fica para o final do ano. Político tem de ser preservar. Vira vidraça. Um ano antes fica complicado", declarou o deputado Roberto Santiago (SP). Para integrantes do PV, Ferreira falou em causa própria. "Eu fiquei um pouco surpreendido. A crítica tem mais um sinal de procurar se salvar no cargo", declarou o deputado Fernando Gabeira (RJ). "Ninguém pensou em estremecer a posição dele no governo. Acho que ele ficou um pouco assustado com a sua posição." Sarney Filho afirmou não haver divisão no partido a respeito da entrada de Marina. O maior apoio vem dos deputados federais, que estimam dobrar a bancada de 14 para até 28 parlamentares. "O Juca não pode falar pela bancada. Ele foi escolhido pelo presidente. Eu nem conheço ele", declarou o deputado Fábio Ramalho (MG). "Acho que foi uma declaração muito particular do Juca. Não representa a satisfação do partido com a vida dela", completou Ciro Pedrosa (MG).REAÇÃOJuca Ferreira declarou que há pessoas no PV que querem colocar a candidatura de Marina "no colo do PSDB". "Toda essa saia justa é resultado da iniciativa do presidente da República, que decidiu antecipar a campanha e agora coloca numa situação difícil quem ocupa um cargo no governo, que é o caso do Juca", afirmou o presidente do PV do Rio, Alfredo Sirkis. Sobre rumores de que Marina poderia ocupar o posto de vice do governador José Serra (SP), um dos cotados para disputar a Presidência pelo PSDB, ele rebateu: "Não existe a menor possibilidade de isso acontecer. Isso é máquina de propaganda do PT."Mesmo alegando que a candidatura de Marina é unanimidade, representantes do PV reconhecem que estão longe do consenso na definição dos detalhes. O posto de vice, por exemplo, é fruto de polêmica. Alguns setores querem um empresário, a exemplo do que fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No PV de Pernambuco, a preferência é pelo ex-ministro Gilberto Gil. A ideia não agrada ao PV em São Paulo, que quer a vaga para negociar uma aliança com o PDT.Apesar de não ter anunciado ainda a entrada no PV, Marina indicou nove nomes de sua confiança para montar, junto com os membros da Executiva Nacional do PV, o programa para 2010. "Queremos acabar com essa ideia de que o PV é monotemático, só fala de Meio Ambiente", disse o deputado Marcelo Ortiz (SP).

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