Fogaça teme ação que teria derrotado Rigotto

A campanha pela reeleição de José Fogaça (PMDB) à Prefeitura de Porto Alegre sugeriu aos seus simpatizantes que não embarquem na tentação de escolher o adversário do candidato no segundo turno. A idéia é evitar a repetição de um movimento ocorrido na eleição para o governo do Estado em 2006, quando parte do eleitorado do ex-governador Germano Rigotto (PMDB), convicta de que ele estaria no segundo turno, votou em Yeda Crusius (PSDB) para afastar Olívio Dutra (PT).A migração nunca foi medida por pesquisas, mas os peemedebistas estão certos de que foi a principal responsável pelo resultado: Rigotto acabou fora e Yeda e Olívio foram ao segundo turno.A estratégia de Fogaça ficou evidente nos programas de TV desta semana. Na segunda-feira, o deputado Vieira da Cunha, presidente nacional do PDT e aliado do prefeito, citou o episódio Rigotto para pedir que ninguém vote "contra isso ou contra aquilo, mas em favor da cidade, em Fogaça". Ontem, outro aliado, o senador Sérgio Zambiasi (PTB), lembrou o caso e pediu voto no prefeito.Em comício no último dia 8 o próprio Rigotto conclamou a militância a lutar só por votos para Fogaça. "Eu ganhei uma eleição impossível de se ganhar", disse, referindo-se a 2002, quando era azarão. "E perdi uma impossível de se perder", completou, sobre 2006.As hipóteses temidas por Fogaça são duas. Numa delas parte do eleitorado poderia votar em Maria do Rosário (PT) porque ela, em tese, largaria com menos chances que Manuela D?Ávila (PC do B) na rodada decisiva. Na outra, poderia votar em Manuela para tentar alijar logo o PT.Assim como Rigotto em 2006, Fogaça lidera pesquisas a duas semanas da eleição. Em uma do Ibope, divulgada no dia 14, ele aparece com 36%, contra 23% de Manuela, 16% de Maria do Rosário, 6% de Luciana Genro (PSOL), 5% de Onyx Lorenzoni (DEM), 1% de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Vera Guasso (PSTU) e menos de 1% de Carlos Gomes (PHS). Nas projeções, o prefeito venceria o segundo turno, com mais dificuldades contra a comunista.Também a exemplo de edições anteriores, o programa de Fogaça na TV tentou neutralizar a propaganda de duas de suas concorrentes - Maria do Rosário e Manuela - que alardeiam a proximidade que têm com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ontem foi a vez de Zambiasi falar sobre as relações com Lula: "Com a base que tem, (Fogaça) assegura uma belíssima relação com o governo federal." Maria do Rosário voltou a mostrar imagens em que abraça Lula e depoimentos de ministros como Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça). Já Manuela diz que "muita gente sabe que ela tem apoio de ministros e do Lula". Lorenzoni ressaltou ontem o trabalho que Alceni Guerra (DEM) como secretário extraordinário de Educação Integral no Distrito Federal. Já o programa do PSOL destacou que Luciana tem prática no combate à corrupção.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.