Foco é excluir prova ilegal, diz Tarso

Segundo ministro, ''rapidamente'' será visto que ''é falsa'' a avaliação de que apuração sobre Dantas foi abandonada

Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

11 de novembro de 2008 | 00h00

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem que o inquérito da Operação Satiagraha está sendo todo refeito pela Polícia Federal para ser apresentado à Justiça livre de provas obtidas de maneira ilegal. Ele disse que estão enganados os que acham que a PF abandonou as investigações sobre o banqueiro Daniel Dantas para focar o delegado Protógenes Queiroz, que presidiu a Satiagraha na primeira fase e deverá ser indiciado por violação de sigilo e escuta sem autorização judicial. Segundo o ministro, "rapidamente" será visto que "é falsa" a avaliação sobre a suposta mudança de foco dos federais."O que está sendo feito é um refazimento do inquérito do Daniel Dantas, que vai dizer se ele tem responsabilidade ou não, não estou prejulgando", explicou Tarso, após reunião com o superintendente da PF no Rio, delegado Valdinho Jacinto Caetano, cujo nome praticamente confirmou como novo corregedor da Polícia Federal, a partir de dezembro. "Aquela equipe técnica que foi para São Paulo, de delegados, de peritos, de agentes, que foi para lá fazer o inquérito, está trabalhando em silêncio, tecnicamente, judiciosamente, com a participação do Ministério Público, fazendo e refazendo todo o levantamento. Tudo o que for apresentado agora naquele inquérito vai estar livre de qualquer nulidade e de qualquer problema que tenha ocorrido anteriormente." Tarso declarou que, paralelamente, está sendo investigado o trabalho de Protógenes, para ver se "houve erros, equívocos ou ilegalidades". Segundo ele, qualquer prova por ele colhida poderá ser aproveitada "desde que não esteja manchada por algum vício ou ilegalidade".Para o ministro, a investigação sobre Protógenes não tem caráter de intimidação. "É uma investigação normal, feita pela Corregedoria", afirmou. "Como é feita em dezenas de outros casos, não tem nenhuma interferência, nem nenhuma intimidação." Ele disse que , se Protógenes não cometeu nenhum erro, sairá "fortalecido" e será até "homenageado". "Se cometeu, vai responder perante a Justiça. É uma coisa normal no Estado de Direito democrático", disse.

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