FMI prevê crescimento maior do Brasil e menor dos emergentes

Em 2008, País deve crescer mais do que a economia global e que os EUA

Agência Estado,

09 de abril de 2008 | 10h06

O Fundo Monetário Internacional projeta crescimento de 4,8% do PIB do Brasil em 2008, segundo o relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês). O número foi revisado em alta em comparação à taxa de 4,0% projetada no documento divulgado no Encontro Anual do Fundo, em outubro de 2007. A projeção para 2009 é de desaceleração do crescimento para 3,7%. Todas as projeções ficam abaixo da taxa de 5,4% registrada pelo País em 2007. Segundo o Fundo, o crescimento brasileiro será maior do que o da economia global e que o dos EUA, que está previsto para 0,5% em 2008.   Veja também:  Para FMI, crise atual é o maior choque desde os anos 30 As grandes crises econômicas  Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos     O Fundo, no entanto, revisou para baixo a projeção de crescimento dos países emergentes e economias em desenvolvimento, prevendo PIB em 6,7% em 2008 e 6,6% em 2009, abaixo do nível de 7,9% registrado em 2007. A taxa de crescimento nestas regiões deve desacelerar "modestamente, mas permanecer robusta tanto em 2008 quanto em 2009", diz o relatório, fazendo a ressalva de que estas economias não estarão isoladas de um declínio sério nas economias avançadas.   A previsão para o PIB em 2008 é 0,3 ponto porcentual superior à taxa prevista no WEO revisado em janeiro de 2008, de acordo com o Fundo, que naquele momento embutiu a projeção do País na região compreendida pela América Latina e Caribe. Para a média anual da inflação, o Fundo prevê 4,8% em 2008 e 4,3% em 2009. Com relação ao balanço de conta corrente, o FMI calcula déficit de 0,7% do PIB em 2008 e de 0,9% em 2009.   Vale destacar avaliação do FMI sobre o fato de os emergentes terem se tornado exportadores de poupança no globo, "aumentando a liquidez que ajudou a estimular as rápidas inovações financeiras e financiar os excessos nos mercados financeiros globais". Neste sentido, o Fundo acredita que os emergentes ajudaram a lançar as sementes para a atual turbulência do mercado financeiro.   O PIB da Rússia é projetado em 6,8% em 2008 e em 6,3% em 2009, abaixo do nível de 8,1% registrado em 2007. Para a Europa emergente, o FMI prevê crescimento de 4,4% em 2008 e 4,3% em 2009, em comparação com 5,8% em 2007. As economias do Oriente Médio, prevê o Fundo, devem avançar 6,1% em 2008 e 2009, ante 5,8% em 2007.   Distância da crise O fundo destaca que tanto o Brasil como outras nações latino-americanas vêm conseguindo se manter relativamente distantes da desaceleração econômica dos Estados Unidos. As exceções, segundo o fundo, foram o México, cuja economia é muito atrelada à americana e os países caribenhos, que sofreram com o declínio do setor de construção nos Estados Unidos.   A avaliação do órgão, segundo a BBC, é que a situação de estabilidade no Brasil pode ser parcialmente atribuída ao fato de que o País vem conciliando um ritmo de crescimento constante com quedas em suas taxas de juros e um forte índice de emprego. O bom desempenho de outros países da região se deu, segundo o fundo, devido ao fato de que nações como Argentina, Colômbia, Peru e Venezuela são fortes exportadores de commodities.  O FMI, no entanto, prevê que o crescimento da América do Sul e do México sofrerá um declínio em 2008, caindo para 4,3% e para 3,6%, em 2009. O índice de 2007 foi de 5,6%. O relatório comenta que o crescimento mais modesto na região deverá se dar por conta de fatores como a influência de condições financeiras externas menos favoráveis e do endurecimento das condições monetárias. De acordo com o fundo, mesmo uma ''economia latino-americana cada vez mais aberta não deixará de ser ferida por um declínio mundial mais profundo''. ''A combinação de quedas de preços de commodities, um crescimento mais fraco dos mercados externos, a intensificação das dificuldades financeiras de bancos americanos e europeus ativos na América Latina e uma queda nos preços de exportação de commodities terão um peso considerável na dinâmica de crescimento da América Latina'', segundo o FMI. Mas o órgão avalia que a região desfruta de uma ''posição robusta'' no cenário internacional, capaz de prevenir interrupções de crescimento como as que ocorreram frente a crises do passado.   (com BBC Brasil)

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