Fabio Motta / Estadão
Fabio Motta / Estadão

Flávio diz que acumulará funções no Senado e presidência do PSL no Rio

Senador eleito havia decidido afastamento do diretório estadual do partido, em consequência das investigações do caso Queiroz

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2019 | 21h45

RIO - O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL/RJ) anunciou nesta quarta-feira, 30, que acumulará a função de presidente do partido no Rio com o exercício de seu mandato no Senado, onde toma posse na sexta-feira, 1. Na terça-feira, 29, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) havia dito ao jornal O Globo que sairia da presidência da legenda no Estado. Flávio afirmou por nota que já tinha cumprido sua missão de estruturar o partido no Rio e pretendia se dedicar ao mandato no Senado. Porém, após a repercussão negativa da decisão entre integrantes do partido, o parlamentar recuou e decidiu acumular as funções, por tempo indeterminado.

Por meio de sua assessoria, Flávio afirmou que manterá suas atividades na presidência do diretório regional, “tratando com a mesma prioridade a sua atuação no Senado Federal”.

“Estar à frente do partido nesse momento de eleição e transição permitirá a continuidade das estratégias de unidade e fortalecimento da legenda no Estado do Rio de Janeiro”, disse Flávio na nota.

No partido, comenta-se que a disputa interna pela liderança da legenda no Estado contribuiu para a permanência de Flávio. Aliados também disseram que o parlamentar havia decidido se retirar do comando formal do partido para se dedicar à sua defesa nas investigações abertas pelo Ministério Público do Rio.

Promotores do Rio abriram procedimento investigatório depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) descobriu que um ex-assessor do senador eleito, Fabrício Queiroz, tinha movimentado, em uma conta, mais de R$ 1,2 milhão em 13 meses. A quantia é incompatível com a renda do ex-funcionário, segundo o Coaf. Nesse cenário, a saída do cargo também poderia ajuda a reduzir a exposição de Flávio.

Também pesou o fato de o presidente Jair Bolsonaro estar articulando para que Flávio, desgastado com o caso do Coaf, diminuísse a sua participação no partido. O presidente estaria trabalhando para que seus antigos assessores pusessem ordem no PSL do Rio e diminuíssem a influência de seu filho e do grupo mais próximo ao senador eleito.

Atualmente, o PSL do Rio é comandado por assessores de Flávio, como o vice-presidente, Miguel Ângelo Braga Grillo, o primeiro-secretário, Juraci Passos dos Reis e a tesoureira-geral, Valdenice de Oliveira Meliga. De acordo com o site do partido, o grupo fica no comando do partido provisoriamente até junho deste ano.

A hostilidade de Jair Bolsonaro aos assessores de Flávio, após a revelação das investigações sobre o Coaf, também ficou clara no dia de sua posse na Presidência da República. Acostumados a serem recebidos a toda hora por Jair, eles reclamaram que não foram convidados para a cerimônia. Eles também estariam com dificuldades para falar com o presidente. O grupo mais próximo de Flávio, que esperava ter cargos no governo, deve ser escanteado até na nova formação do diretório do Rio.

Jair também faltou, no dia 18 de dezembro, à cerimônia de diplomação de Flávio. Apesar de sua presença ter sido anunciada ao microfone, Bolsonaro não estava entre os presentes no auditório do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

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