Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Flávio Bolsonaro pendura voo a Noronha na conta do Senado e fala em ‘equívoco’

Senador pediu reembolso pelas passagens, que custaram R$ 1.617,66; uso da chamada cota parlamentar só é permitido quando o deslocamento é a trabalho

Breno Pires, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2020 | 20h24

BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro, que passa o feriado de Finados na ilha de Fernando de Noronha junto com a mulher Fernanda Antunes, pendurou o custo da própria passagem aérea nos cofres públicos, apesar de não se tratar de uma viagem a trabalho. O uso de dinheiro da chamada cota parlamentar para comprar passagens aéreas só é permitido quando o deslocamento é a trabalho. No entanto, a agenda do senador não informa nenhum compromisso nos dias que coincidem com a presença dele na ilha.

Flávio pediu o reembolso de R$ 1.617,66 que pagou pelos voos. O senador também fez pedido para recebimento de diárias durante o período, mas, segundo a sua assessoria de imprensa, trata-se de um “equívoco” e o senador já pediu para cancelar tanto o reembolso pelas passagens aéreas quanto o pedido de diárias.

Em checagem feita no site do Senado na noite deste sábado, 31, os valores constam como efetivamente ressarcidos ao senador. Os bilhetes disponíveis para verificação no site do Senado mostram que, ao todo, Flávio Bolsonaro passará seis dias na ilha. O custeio do voo de Flávio Bolsonaro foi revelado pelo site Metrópoles.

O primeiro voo de Flávio Bolsonaro foi de Brasília ao Recife na noite da quarta-feira, 28 de outubro. Essa passagem foi comprada com bastante antecedência, em 29 de setembro. Então, em nova compra, feita no dia 13 de outubro, o senador rumou do Recife a Noronha em voo marcado para as 8h45. O regresso de Noronha para Brasília está programado para acontecer em um voo direto às 11h50 da terça-feira, 3 de novembro.

Em nota, o gabinete do senador disse que o reembolso foi pedido “por engano”. No entanto, a assessoria não soube informar se esse cancelamento foi feito após o fato se tornar público.

“O Gabinete do Senador Flávio Bolsonaro informa que houve um equívoco da equipe que emitiu as passagens para Fernando de Noronha. As passagens foram pagas pelo próprio senador, mas a equipe, por engano, pediu reembolso. Ele já fez a solicitação para cancelar o reembolso e para também cancelar os pedidos de diárias”, disse a nota do gabinete, enviada pela assessoria de imprensa do senador.

Esse tipo de verificação de gasto público de senadores até o ano passado não podia ser feito, pois o Senado não disponibilizava as informações de reembolsos realizados e as notas fiscais apresentadas pelos parlamentares.

O Estadão publicou reportagens no ano passado mostrando manobras da presidência do Senado, que vinha desde a gestão de Renan Calheiros até a de Davi Alcolumbre, para manter sob sigilo os gastos, com argumentos como o de que a exposição dos dados poderia ameaçar a segurança dos representantes eleitos pelo povo. 

O próprio Flávio Bolsonaro usou um parecer de 2016, produzido na gestão Renan Calheiros, para negar acesso a dados que o Estadão solicitou via Lei de Acesso à Informação.

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