WILTON JUNIOR / ESTADAO
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Flávio Bolsonaro diz que intermediou reunião no BNDES para empresário da Covaxin

Filho do presidente, senador afirma que se tratava de um pedido de financiamento para outra empresa de Maximiano que oferecia serviços de internet; encontro foi revelado pela Veja

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 17h35
Atualizado 25 de junho de 2021 | 17h39

BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira, 25, conhecer o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Emerson Maximiano, por meio de “amigos em comum” e que não tem relação comercial com o empresário. Mesmo assim, o filho do presidente Jair Bolsonaro confirmou ter levado Maximiano para uma reunião com o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, em 13 de outubro. O encontro, feito via videoconferência, foi revelado pelo site da revista Veja.

“Conheço o senhor Maximiano de amigos em comum aqui em Brasília, como conheço milhares de pessoas. Mas não tenho absolutamente nenhuma relação comercial, financeira, com o senhor Maximiano”, disse, em vídeo publicado nas redes sociais. A Precisa é a representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biothec, que intermediou a compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin pelo governo federal.

O contrato, de R$ 1,6 bilhão, é investigada pelo Ministério Público Federal e pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado por suspeitas de irregularidades. 

Segundo Flávio, a reunião no BNDES tratou sobre um pedido de financiamento para outra empresa de Maximiano, a Xis Internet Fibra. Montezano, presidente do banco, é amigo de Flávio.

“O que fiz, sim, foi pedir ao presidente do BNDES para que ouvisse a boa ideia trazida pelo senhor Maximiano para que o BNDES pudesse entender e, quem sabe, dar algum suporte para levar internet para o Norte e para o Nordeste”, disse.

Também participou da videoconferência Danilo Fiorini, CEO da Xis Internet Fibra. Na agenda pública de Montezano, consta apenas o sobrenome de Maximiano, que está identificado como “sócio” da Xis Internet Fibra. Não há informações, no site do BNDES, sobre o assunto da reunião. 

Maximiano e a Precisa estão sob investigação da CPI após o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda afirmar, em depoimento ao Ministério Público Federal, que sofreu “pressão atípica”, por parte de seus superiores, para agilizar a importação dos imunizantes. Em depoimento à comissão nesta sexta, Ricardo Miranda afirmou que também recebeu telefonema de Francisco Maximiano para tratar das vacinas.

Para Flávio, o fato de a reunião ter constado na agenda pública é sinal de que não teve nada de suspeito no encontro. “A reunião foi publicada em agenda oficial do presidente do BNDES, então, portanto, com toda a transparência, sem nada, absolutamente, nada a esconder”, diz o senador.

No vídeo, Flávio diz ainda que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, também teria se encontrado com representantes da Precisa Medicamentos. “Não vou ser leviano de sugerir que o senador Randolfe Rodrigues levou, ou esteja levando, alguma vantagem comercial da Precisa ou da Covaxin”, afirma o senador fluminense, completando que o trabalho do parlamentar é intermediar para que “as coisas aconteçam”, especialmente em benefício dos “que mais precisam, dos mais pobres”. “O papel do BNDES é esse, diferente do que acontecia em governo passados”, diz Bolsonaro.

Procurado, o BNDES não comentou o assunto até o fechamento deste texto. No site do banco de fomento não consta quaisquer operações nem com a Xis Internet Fibra nem com a Precisa Medicamentos.

No site da Xis Internet Fibra há pouca informação institucional sobre a empresa, que ofereceria serviços de conexão à internet de banda larga. “A XIS INTERNET FIBRA tem as melhores opções para sua casa ficar sempre conectada. Internet rápida e fácil e sem limite de dados. Toda a velocidade da Ultra Banda Larga para você voar na Internet!”, diz a página inicial do site da empresa na internet.

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