Fabio Motta / Estadão
Fabio Motta / Estadão

Flávio Bolsonaro diz na TV que é contra milícias

Senador eleito afirma que não sabia das suspeitas contra o ex-PM acusado chefiar organização criminosa quando o homenageou

Fábio Grellet e Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2019 | 20h48
Atualizado 25 de janeiro de 2019 | 12h29

Dois dias depois de a Justiça do Rio decretar a prisão do ex-policial militar Adriano da Nóbrega, acusado de chefiar uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou que propôs duas homenagens a ele, enquanto deputado estadual, porque não sabia das suspeitas contra o agente. Um dos homenageados estava preso no momento em que o pedido de homenagem foi protocolado. Ele também condenou as milícias, que têm presença forte na zona oeste da capital fluminense e também na Baixada e têm influência política no Estado.

“Eu já ofereci centenas de homenagens a policiais militares, a outros integrantes de segurança pública. (As denúncias) São informações que estão vindo à tona agora, e as homenagens foram por situações específicas. Não tem problema nenhum nisso, a gente tem que homenagear aqueles policiais que se destacam. Obviamente, as informações que agora aparecem são completamente diferentes das que eu tinha na época”, afirmou o filho do presidente Jair Bolsonaro, em entrevista ao SBT.

O senador eleito, em discursos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em 2006 e 2007, afirmou que “a milícia nada mais é do que um conjunto de policiais buscando expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos”. Também disse em pronunciamento não achar “justa essa perseguição (aos milicianos)”. Nesta quinta-feira, disse ser contra as milícias.

“Sou contra milícias, só que nesse momento (no passado) estava começando uma discussão sobre o que era isso, estava se generalizando de uma forma muito preocupante, em qualquer lugar onde moravam dois ou três policiais militares já estavam sendo considerados milícia. O que eu falei é que eu defendia os policiais”, justificou-se o senador eleito. Ele também disse que frases suas foram tiradas do contexto. “Sou contra qualquer tipo de tentar implantar um Estado paralelo que não seja o nosso democrático de direito”, completou.

Flávio negou que tenha cogitado pedir afastamento do Senado 

Flávio Bolsonaro também negou que tenha cogitado pedir afastamento do cargo de senador, que vai assumir em 1.º de fevereiro, para se defender das acusações e como forma de proteger o governo do pai, o presidente Jair Bolsonaro.

“Mentira, não sei nem de onde surgiu essa história. Eu nem tomei posse ainda, vou tomar posse e vou trabalhar muito pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil. Não vou me afastar, e quero aproveitar a oportunidade para falar para todo o Brasil da grande perseguição política que estou sofrendo no meu Estado”.

Na entrevista, Flávio alegou que teve seu sigilo bancário quebrado pelo Ministério Público do Rio irregularmente. Os procuradores rebatem a alegação, e dizem que o Coaf encaminhou informações ao MP espontaneamente, por meio de protocolo que existe entre as agências para combater lavagem de dinheiro. 

“Tenho a convicção de que o Supremo (Tribunal Federal), ao ingressar no teor dessa minha reclamação, em que eu aponto as irregularidades com provas documentais, com cópia do próprio processo, esse entendimento vai ser pacífico de que houve, sim, quebra do meu sigilo sem autorização judicial”, disse. Ele se referia ao processo que culminou com a decisão do ministro Luiz Fux de suspender a investigação contra Queiroz, até que o relator do caso no STF decida sobre o caso. “Não fui lá pedir foro privilegiado”, completou Flávio.

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