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Flávio Bolsonaro anuncia saída do Republicanos

Senador vai ficar sem legenda enquanto o pai presidente não definir futuro partidário

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2021 | 16h22
Atualizado 27 de maio de 2021 | 10h54

BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro (RJ), filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, decidiu se desfiliar do Republicanos, mas ainda não definiu seu novo partido. Flávio estava na sigla há um ano e dois meses.

A assessoria do senador informou que ele aguarda uma definição de Bolsonaro porque a decisão sobre a nova sigla será tomada em conjunto com o presidente. Antes de migrar para o Republicanos, Flávio estava no PSL, assim como o pai e os dois irmãos. O único que se mantém no PSL é o deputado Eduardo Bolsonaro (SP).

O pedido de desfiliação do senador, conhecido como “01”, ocorre na esteira de uma crise vivida entre a Igreja Universal do Reino de Deus, que no Congresso é representada pelo Republicanos, e o governo federal.

Integrantes da Universal em Angola se rebelaram contra a direção brasileira da igreja – fundada e liderada pelo bispo Edir Macedo – e divulgaram um manifesto que acusa o comando geral de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e racismo. Os bispos da Igreja no Brasil chegaram a se queixar da falta de apoio do Ministério das Relações Exteriores nessa questão.

Dirigentes do Republicanos negaram, porém, que a crise em Angola fosse o motivo da saída de Flávio do partido. O movimento do senador para acompanhar o pai já era esperado pelo comando da legenda. O Estadão apurou que o Ministério das Relações Exteriores auxilia agora a organizar uma missão diplomática, comandada pelo presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), para o país africano.

Em busca de um partido para disputar a reeleição, em 2022, Bolsonaro anunciou, no último dia 20, que está “namorando” o Progressistas. Durante a inauguração de uma ponte ligando o Piauí ao Maranhão, o presidente disse ter sido convidado pelo presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), para se filiar. Afirmou, ainda, que não pretendia se fazer de “difícil”. 

“Fui do PP (antigo nome do Progressistas) por muito tempo. Ele não está apaixonado por mim, mas está me namorando, quer que eu retorne ao partido Progressistas. Quem sabe se ele souber conversar, for bom de papo, quem sabe a gente volta. Não estou me fazendo de difícil, é um grande partido”, observou Bolsonaro. 

O presidente já foi filiado ao PP em 2005 e em 2016. Deixou a legenda porque não via espaço para concorrer à Presidência. Bolsonaro foi eleito pelo PSL em 2018, mas se desfiliou em novembro de 2019. Tentou fundar o Aliança pelo Brasil, mas não conseguiu levar a ideia adiante. Desde então, já conversou com nove siglas, sem sucesso. Houve, ainda, articulações para que Bolsonaro retornasse ao PSL, dividido em grupos extremamente contra seu governo e outros que o apoiam.

No fim de abril, dias após a morte de Levy Fidelix, que comandava o PRTB, Bolsonaro recebeu os herdeiros dele para um jantar no Palácio da Alvorada. O presidente manifestou o desejo de ter total controle sobre a estrutura partidária. A família de Fidelix não concordou e isso acabou interrompendo as negociações. O PRTB é o partido do vice-presidente Hamilton Mourão. Interlocutores de Bolsonaro voltaram a conversar com o Progressistas, o PTB, o Democracia Cristã (DC) e com o Patriota.

O vereador Carlos Bolsonaro (RJ), filho “02” do presidente, ainda se mantém no partido. No caso dele, a mudança de legenda provocaria perda de mandato, o que não ocorre com integrantes de cargos majoritários, como Flávio.

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