Wilton Junior/Estadão
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'Fizemos esforço para que a oposição não esmagasse os governistas', diz Lira

Presidente da comissão do impeachment afirma que buscou conduzir os trabalhos de forma 'suprapartidária e imparcial'

Luísa Martins, Isabela Bonfim e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2016 | 14h51

BRASÍLIA - O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) disse que, na condição de presidente da Comissão Especial do Impeachment, teve de "fazer um esforço" para que "a oposição não esmagasse os governistas" durante os debates nas sessões. "Tínhamos que ter esse equilíbrio, pois havia uma explícita identificação de que a oposição era numericamente muito superior aos representantes do governo", disse Lira, destacando que buscou conduzir os trabalhos de forma "suprapartidária e imparcial". Nesta sexta-feira, 6, o relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG) pela admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi aprovado por 15 votos a 5.

Depois de encerrada a sessão, Lira informou que já sabe como vai votar, mas só vai declarar seu posicionamento no plenário do Senado, na próxima quarta-feira. "Já tenho essa convicção. É um voto claro e explícito que irei manifestar já na condição de senador, não mais como presidente da comissão." Segundo o regimento interno, Lira só poderia votar na comissão em caso de empate. 

Ainda não há informações sobre como funcionará a votação no plenário do Senado. Segundo Lira, o mais provável é que não haja tempo para que os demais senadores debatam sobre o relatório de Anastasia, uma vez que o documento "já foi muito bem discutido, contando com a participação de membros, não-membros e suplentes". "A essas alturas, de 70% a 80% dos senadores já conhecem o teor do relatório", disse Lira.

Ele salientou ainda que "cumpriu sua missão" e que teve "muito cuidado de criar condições para que a defesa trabalhasse de forma completa e não fizesse reclamações". O senador destacou que seguiu o rito previsto em lei e as diretrizes definidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Fomos rigorosos em relação ao regimento. As possibilidades de judicialização são mínimas, mas logicamente a Advocacia-Geral da União tem direito legal de entrar com recurso."

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