Fiscal que multou PSDB por 2002 é petista

Líder do partido reage e acusa PT de criar uma 'república de ilicitudes'

O Estadao de S.Paulo

05 de abril de 2008 | 00h00

Um dos auditores da Secretaria da Receita Federal que autuaram o PSDB por irregularidades na prestação de contas da campanha presidencial de 2002, Júlio Severino Bajerski, é filiado ao PT e suplente de vereador pelo partido em Santo Ângelo (RS), informa a revista Época desta semana. A revelação provocou pronta reação dos tucanos. "O PT está criando uma república de ilicitudes, com o uso criminoso das instituições do Estado contra adversários políticos", afirmou ao Estado o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP). Em dezembro, dois meses antes do vazamento de informações sobre a multa aplicada ao PSDB pela Receita, Bajerski registrou, num site de classificados, a declaração de que teria perdido, "possivelmente num táxi", uma maleta com pertences e "documentos". A um pedido de maiores explicações sobre o suposto desaparecimento da maleta, o auditor alegou que o assunto é sigiloso e as informações deveriam ser solicitadas à Secretaria da Receita Federal. Em outra tentativa de ouvi-lo, ele desligou o telefone."São procedimentos sórdidos. Temos de eliminar esses episódios da vida pública brasileira, senão a democracia não se aprimora", protestou Aníbal. "Grave é que o presidente da República seja extremamente condescendente com essas irregularidades."O líder tucano sustentou que no governo Fernando Henrique Cardoso "não aconteceu um só episódio desse tipo" e se disse preocupado: "Hoje eu olho qualquer petista com suspeitas." Ele acusou ainda o governo de estar criando "um caldo de cultura propício a transgressões".TROCASegundo Época, inicialmente a Receita designou os auditores Maria Aparecida Gerolamo e Charles Costa de Almeida para examinar as contas do PSDB. Depois os trocou por Bajerski e Magliane de Morais Rodrigues. A razão da troca é desconhecida. Os dois últimos detectaram notas frias na prestação de contas da campanha de José Serra à Presidência em 2002, o que ocasionou uma multa de R$ 7 milhões ao partido. Em nota, a Secretaria da Receita Federal afirmou que seus servidores "podem exercer atividade político-partidária" e assinalou: "Se ficar comprovado que determinado servidor agiu com excesso ou valeu-se do cargo para prejudicar alguém, poderá haver imputação de responsabilidade funcional, administrativa e penal."A fiscalização da Receita na prestação de contas do PSDB foi desdobramento de uma investigação que, inicialmente, visava a quatro partidos (PT, PP, PTB e PL, hoje PR) envolvidos, em 2005, no escândalo do mensalão. Depois, a fiscalização foi estendida a três outros (PSDB, DEM e PMDB). A Receita suspendeu a imunidade tributária dos sete partidos e detectou irregularidades nas contas de todos, mas só a autuação do PSDB vazou para a imprensa, embora as contas de todos eles estivessem protegidas por imunidade legal.

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