Fiscais do Mapa distribuem arroz e feijão em Salvador

Fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na Bahia, em greve desde o dia 6, distribuiram, na manhã desta terça, em Salvador, quatro toneladas de arroz e quatro de feijão.

TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

21 de agosto de 2012 | 18h50

O ato foi um protesto da categoria contra o Decreto 7777/2012, que prevê a substituição de funcionários públicos federais em greve por estaduais e municipais, e contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, no dia 9, determinou a suspensão da paralisação em alguns setores de atuação dos fiscais federais, como trânsito internacional e inspeção dos produtos de origem animal e vegetal.

"Nos outros setores de atuação, continuamos em greve, com entre 30% e 70% dos fiscais trabalhando", conta o delegado do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Francisco Mandarino Villas Bôas.

Cerca de metade dos alimentos foi distribuída no Farol da Barra, um dos mais conhecidos cartões-postais de Salvador. No local, os manifestantes ainda fizeram um abraço simbólico ao monumento. O restante dos alimentos foi doado a moradores do Calabar, uma favela de Salvador que recentemente recebeu uma Base Comunitária de Segurança.

"Optamos pela distribuição do arroz e do feijão por causa da simbologia de ser o prato básico da população brasileira", conta o sindicalista. De acordo com ele, os produtos foram comprados pelos próprios fiscais, por cerca de R$ 11 mil. "Nossa intenção com a manifestação, que chamamos de protesto do bem, foi mostrar à população nosso trabalho, que boa parte das pessoas não conhece, mas que contribui para melhorar a qualidade da alimentação que chega à população", diz. "No feijão com arroz de cada dia, tem o trabalho de um fiscal. E, às vezes, é preciso cruzar os braços para mostrar que nosso trabalho pode fazer falta."

Os grevistas reivindicam reajuste salarial de 22,08% - a soma da inflação com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro desde 2010 - e a adoção da remuneração por subsídio. A proposta do governo é de reajuste de 15,8%, parcelado em três vezes, até 2015.

De acordo com o sindicalista, a decretação do subsídio como forma de pagamento é vista pelos trabalhadores como necessária para o fim da paralisação, por causa da remuneração dos fiscais aposentados. "Sem ela, um fiscal perde metade dos rendimentos na aposentadoria", justifica.

A próxima assembleia da categoria está marcada para o dia 26. "O Ministério do Planejamento deve apresentar nova proposta na quinta-feira e vamos avaliar se ela atende a nossas reivindicações", diz Villas Bôas.

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